Revista de Agricultura Urbana
Urban Agriculture Magazine
RUAF - Centro de Recursos em Agricultura e Silvicultura Urbanas

Revista de Agricultura Urbana
. 12 - Maio de 2004
Gênero e Agricultura Urbana


Prezados Leitores,

Temos a satisfação de lhes apresentar a 12a. edição da Revista de Agricultura Urbana, com 18 artigos provindos de diferentes regiões do globo.

A agricultura urbana pode ter conseqüências positivas e/ou negativas para homens e mulheres dependendo da situação e das condições. As informações recolhidas sobre agricultura urbana demonstram que ela geralmente tem um impacto positivo na segurança alimentar das famílias, beneficiando portanto as mulheres - já que são elas quase sempre as responsáveis pela alimentação de seus familiares. Esta edição da Revista de Agricultura Urbana analisa mais de perto como a agricultura urbana se relaciona com as dinâmicas de gênero existentes nas diversas comunidades.

Sem considerar se são os homens ou as mulheres que predominam na agricultura urbana - nesta edição fica demonstrado que esse aspecto varia de país a país, é importante focalizar a pesquisa, as políticas e o planejamento das ações tanto neles como nelas, e enfatizar as diferenças entre todos e todas, reconhecendo a diversidade inerente. Essas percepções informadas pela questão de gênero irão ajudar a formulação de intervenções mais apropriadas e relevantes.

Na defesa da agricultura urbana como estratégia de desenvolvimento, as mulheres são consideradas em muitos contextos como as agentes preferenciais da intervenção, mas deve-se ter cuidado para avaliar adequadamente como os esforços potencialmente bem sucedidos podem alterar suas circunstâncias atuais. É importante analisar os benefícios da agricultura urbana para as famílias, especialmente para as mulheres, comparando-a com as alternativas econômicas e outras oportunidades sociais que podem se tornar disponíveis por meio de outras iniciativas.

Para prover os parceiros da rede RUAF com informações e orientações na identificação de estratégias que melhor integrem a dimensão do gênero em suas atividades, e para "gender mainstream" (?) a agricultura urbana, o RUAF iniciou um Grupo de Consultoria em Gênero. Esse grupo é formado por pessoas com especialização ou experiência prática em questões de gênero e agricultura em ambientes urbanos. Além disso, três documentos de trabalho foram preparados. Ao mesmo tempo, os parceiros do RUAF estão atualmente escrevendo estudos de caso sobre o tema, que irão servir como insumos para o seminário de especialistas em gênero e agricultura urbana que será realizado em setembro de 2004.

Todos os leitores estão convidados a contribuir para os próximos números da Revista de Agricultura Urbana: vejam aqui os seus temas (?).

Os artigos de contribuição devem ter até 2.500 palavras e devem ser acompanhados, preferentemente, por ilustrações (em formato digital e de boa qualidade), referências e um resumo. Apesar de cada edição focar um tema específico selecionado, nós aceitamos com satisfação artigos sobre qualquer tema relacionado com a agricultura urbana e periurbana. As contribuições serão analisadas para publicação por nossa equipe editorial formada pelo editor responsável do RUAF e um co-editor consultor científico externo.

Foram publicadas as edições no.s 10 e 11 em espanhol, a no. 9 em francês, a no. 4 em chinês, e as no.s 1 a 7 em português. Os leitores nessas línguas devem contatar os institutos ligados ao RUAF em cada uma das regiões. Clique aqui para acessar informações sobre as edições regionais e assinaturas.

Esperamos receber suas contribuições e comentários.

O Editor

Sobre a Revista de Agricultura Urbana
Questionário


Sumário

Editorial: Dimensão de gênero e agricultura urbana
Gênero, agricultura urbana e política - um testemunho

A questão do gênero na agricultura urbana na Grande Gaborone, Botsuana
Agricultura urbana em Rosário: oportunidade para a igualdade de gênero
Nossa realidade diária: hortas domésticas urbanas orgânicas em Lima, Peru
Gênero na horticultura em áreas irrigadas urbanas em Gana
As mulheres na agricultura urbana na África Ocidental
Gênero, água e agricultura urbana
Capacitando as mulheres para acessarem mercados na periferia urbana
Mulheres e agricultura periurbana na zona de "Niayes", no Senegal
Mulheres na agricultura periurbana senegalesa: o caso de Touba Peycouck
Dimensão de gênero da agricultura urbana comercial em Lagos, Nigéria
Integração de gênero nas políticas municipais: agricultura urbana em Port Harcourt, Nigéria
Criação urbana de animais e gênero em Adis Abeba, Etiópia
Análise de gênero da agricultura urbana em Kampala, Uganda
Gênero e acesso à terra para agricultura urbana em Kampala, Uganda
Agricultura urbana e periurbana na Namíbia
Perspectivas de gênero na agricultura periurbana no Nepal
Mulheres piscicultoras nas periferias de Kolkata
Agricultura urbana, organização familiar e autonomia feminina ao sul da cidade do México
Eventos de interesse
Livros de interesse
Sítios de interesse
Notícias de nossos parceiros


Editorial: Dimensão de gênero e agricultura urbana
Joanna Wilbers, Alice J. Hovorka e René van Veenhuizen

Gênero, agricultura urbana e política - um testemunho
Shingirayi Mushamba
Como um grupo de mulheres organizadas conseguiu que o prefeito de Marondera, no Zimbábue, solicitasse ao autor que identificasse áreas na cidade para a prática da agricultura, e como as conseqüências foram bem além do que todos imaginavam.

A questão do gênero na agricultura urbana na Grande Gaborone, Botsuana
Alice J. Hovorka
A agricultura urbana na Grande Gaborone tem um caráter predominantemente comercial, pois a maior parte da produção é vendida nos mercados da cidade. Ela não emergiu como uma resposta às condições de carência dos pobres da cidade, mas antes como uma conseqüência planejada de um ambiente político e econômico favorável. Três dimensões fundamentais da agricultura urbana na Grande Gaborone a tornam um interessante caso a ser estudado e muito rico em aspectos que levam a novas percepções sobre as relações de gênero: ela é predominantemente comercial; ela é reconhecida formalmente; e dela participam homens e mulheres em quantidades praticamente iguais. Esse artigo oferece uma visão geral das conclusões de pesquisas realizadas na Grande Gaborone.

Agricultura urbana em Rosário: oportunidade para a igualdade de gênero
Gunther Merzthal
Esse artigo é um resumo adaptado de uma pesquisa-diagnóstico sobre os papéis e funções das mulheres na agricultura comunitária na cidade de Rosário. O estudo foi realizado em outubro de 2003 por representantes dos setores de emprego, mulheres, e agricultura urbana do Departamento de Promoção Social da Prefeitura de Rosário e da ONG Rima.

Nossa realidade diária: hortas domésticas urbanas orgânicas em Lima, Peru
Tasso Hetterschijt
Quando as mulheres decidiram cultivar suas hortas
Marta de Olarte
Lima é conhecida historicamente como a Cidade Jardim. Entretanto, a julgar pela atual falta de áreas verdes, é até difícil imaginar como ela ganhou essa fama. Cultivar a terra no deserto peruano, com uma precipitação anual de 25mm é muito difícil. As pessoas desenvolveram uma série de estratégias para irrigar suas colheitas, usando as águas do rio Rimac e água encanada. Conseqüentemente, a agricultura urbana tem muitas faces em Lima. Os meios de vida dos agricultores urbanos são muito dinâmicos, e as atividades desenvolvidas pelos diferentes membros da família mudam rapidamente.
O processo de urbanização e a redução da população rural no Peru avançaram dramaticamente nos últimos 60 anos. Hoje, quase ¾ da população peruana vive em áreas urbanas e periurbanas. Como resultado, os recursos e serviços que as cidades devem oferecer a seus moradores, como saúde, educação, emprego, acesso a comida e à água saudável, saneamento etc., estão sendo crescentemente super-demandados e à beira da ruptura. A agricultura urbana cresceu rapidamente nas últimas décadas na região metropolitana de Lima, trazida principalmente pelos migrantes. Esse contexto levou a Associação por Recursos para o Desenvolvimento a promover o plantio de hortas comunitárias, na região sul da cidade como um meio de combater a fome e a nutrição insuficiente. O trabalho da ARD focaliza o aspecto “gênero em desenvolvimento”, através do qual é feito um esforço para analisar os papéis e as necessidades dos homens e das mulheres de modo a fortalecer essas últimas.

Gênero na horticultura em áreas irrigadas urbanas em Gana
Emmanuel Obuobie, Pay Drechsel, George Danso e Liqa Raschid-Sally
Como em muitas cidades dos países da África Ocidental, os homens dominam na agricultura praticada em espaços abertos urbanos de Gana, principalmente na produção irrigada em grandes áreas livres. A natureza pesada de muitas tarefas típicas da produção agrícola, como a limpeza do terreno e o revolvimento da terra, é a principal razão dada pelos agricultores (tanto homens quanto mulheres) para explicar por que os homens dominam nas atividades desse setor da economia informal das cidades ganenses. Verificou-se que as mulheres dominam o setor da comercialização dos produtos da agricultura urbana, e isso é em parte devido à tradição do país, no qual o comércio é em geral trabalho de mulher, mas também por que as mulheres ganenses percebem a venda de alimentos como mais lucrativa e menos arriscada do que a produção agrícola.

As mulheres na agricultura urbana na África Ocidental
Angelika Kessler, Friedhelm Streiffeler e Emmanuel Obuobie
Tradicionalmente, em muitas sociedades da África Ocidental, as mulheres cultivam hortaliças nativas em volta de suas casas. Entretanto, nos países de colonização francesa dessa mesma região, as hortaliças típicas do clima temperado da Europa foram introduzidas nos países durante a era colonial, e os prisioneiros e soldados franceses (todos homens) eram obrigados a plantá-las. Esse artigo descreve os resultados de dois estudos na África Ocidental, focando na produção de hortaliças nativas praticada pelas mulheres.

Gênero, água e agricultura urbana
Felicity Chancellor
A pobreza urbana é um problema crescente. Cerca de 70% dos pobres do mundo são mulheres, muitas das quais viúvas ou mães solteiras, com a responsabilidade de alimentarem seus filhos e anciões. A produção de alimentos em pequena escala como parte de um conjunto de oportunidades é vital para a sobrevivência dos mais pobres e portanto especialmente das mulheres pobres das cidades. O clima social, cultural e econômico da cidade molda os modos pelos quais homens e mulheres podem usar a agricultura urbana e se beneficiar dela. Os dois estudos referidos neste artigo fornecem uma análise de gênero rudimentar como base para se discutir como a agricultura urbana beneficia de fato as pessoas mais envolvidas nela.

Capacitando as mulheres para acessarem mercados na periferia urbana
Sangeetha Purushothaman, M.S. Subhas e Mitali Nagrecha
Na periferia das cidades costumam ocorrer grandes mudanças nos meios de vida e no uso da terra. A expansão das cidades, estimulada pela globalização e privatização, vem colocando riscos crescentes para os meios de vida existentes bem como oportunidades para o surgimento de novos meios de vida voltados para os empregos e mercados urbanos. Os tomadores de decisões nos órgãos governamentais urbanos e rurais e nas agências de desenvolvimento precisam reconhecer essas mudanças que já estão ocorrendo, e responder de modo a garantir que elas produzam oportunidades para novas formas de sustento para os pobres periurbanos e rurais. Este artigo discute algumas práticas recentes que abrem muitas e amplas possibilidades para os pobres e para as mulheres.

Mulheres e agricultura periurbana na zona de "Niayes", no Senegal
Maty Ba Diao
A zona periurbana dos Niayes, no Senegal, tem uma longa tradição de horticultura comercial e produção de frutas e flores em combinação com a criação de animais em pequena escala, voltadas para os mercados urbanos e também para o auto-consumo. Poucas pesquisas foram feitas sobre as questões de gênero na agricultura do Senegal. Neste artigo, o papel das mulheres na agricultura periurbana nos Niayes do Senegal é descrito, baseado em estudos de caso, indicando-se as limitações e as necessidades a serem atendidas em futuras pesquisas.

Mulheres na agricultura periurbana senegalesa: o caso de Touba Peycouck
Nathan C. McClintock
No Senegal, a agricultura urbana cresceu rapidamente em resposta à natureza frágil da segurança alimentar nas cidades e para atender as necessidades de uma população urbana em rápida expansão. O acesso inadequado à terra, a insegurança quanto à posse da terra, e a carência de água e de estrume tornam a agricultura urbana cada vez mais difícil, particularmente para as mulheres cujo acesso à terra e ao capital é ainda mais limitada por uma série de fatores socioeconômicos.

Dimensão de gênero da agricultura urbana comercial em Lagos, Nigéria
Vide Anosike e Mayowa Fasona
A alta taxa de pobreza entre os lares urbanos, as responsabilidades de prover o pão familiar recaindo cada vez mais sobre as mulheres, e o potencial da agricultura urbana para ajudar a melhorar a segurança alimentar dos pobres são os fenômenos que tornaram essa prática uma atividade crucial hoje em Lagos. Entretanto, o acesso inadequado à terra, a falta de implementos adequados e a carência de água para irrigação, entre outros problemas, continuam sendo obstáculos para o uso de práticas agrícolas mais eficientes. As mulheres tendem a ser mais severamente afetadas por esses problemas e, conseqüentemente, elas predominam nas atividades agrícolas urbanas menos lucrativas. Infelizmente, as iniciativas esperadas para reduzir as disparidades de gênero nos processos de produção comercial de alimentos, aumentar os lucros das mulheres e estimular que elas poupem e invistam, permanecem na fase inicial. Esse documento analisa criticamente a peculiaridade dos desafios de gênero na produção urbana de alimentos em Lagos, e oferece algumas considerações na área de políticas públicas.

Integração de gênero nas políticas municipais: agricultura urbana em Port Harcourt, Nigéria
Yomi Oruwari e Margaret Jev
A integração da dimensão de gênero nas intervenções do planejamento melhora os programas e as políticas públicas, especialmente aquelas voltadas para os pobres das áreas urbanas. O planejamento do uso da terra urbana e o envolvimento do aspecto do gênero são questões importantes na Nigéria, atualmente, ligadas à utilização efetiva das terras urbanas. Dentro e ao redor da cidade de Port Harcourt, as áreas até há pouco agrícolas estão sendo substituídas por atividades de desenvolvimento tipicamente urbanas ou industriais, especialmente empreendimentos imobiliários e exploração de óleo mineral (?). Nesse processo, a inabilidade dos planejadores urbanos em atender as crescentes necessidades dos produtores urbanos, especialmente das mulheres que produzem hortaliças frescas e frutas perecíveis, é visível e precisa ser revertida.

Criação urbana de animais e gênero em Adis Abeba, Etiópia
Azage Tegegne
A produção urbana de animais desempenha um papel substancial na segurança alimentar dos moradores das cidades. Mesmo assim, os criadores urbanos de animais recebem pouca atenção em termos de políticas favoráveis ou de apoios institucionais e técnicos que atendam suas necessidades. Na Etiópia, as mulheres são responsáveis pela produção de 70% dos alimentos de origem animal. O processamento do leite e as atividades de comercialização são trabalhos feitos principalmente por mulheres, enquanto que a compra e a venda dos animais é uma responsabilidade tipicamente masculina. As mulheres trazem sua importante contribuição para a segurança alimentar por meio das longas horas que gastam cuidando dos animais e processando e vendendo os seus produtos.

Análise de gênero da agricultura urbana em Kampala, Uganda
Grace Nabulo, George Nasinyama, Diana Lee-Smith e Donald Cole
Esse artigo descreve uma pesquisa com 250 agricultores que produzem alimentos em antigos lixões e em alagados que recebem águas servidas na periferia de Kampala. Os questionários foram desenvolvidos com a ajuda das diretrizes do IDRC sobre métodos de análise de gênero. O estudo busca descrever a distribuição das atividades e dos recursos, benefícios e riscos da agricultura urbana conforme o gênero. Ele mostra que o principal benefício motivador da agricultura urbana em Kampala é a alimentação e que as mulheres sofrem mais com a falta de segurança com relação ao acesso e à posse da terra do que os homens. As mulheres costumam ser empurradas para cultivarem as terras mais contaminadas, tornando-as - e suas famílias - mais vulneráveis aos riscos à saúde associados às práticas agrícolas urbanas em solos contaminados e usando água poluída.

Gênero e acesso à terra para agricultura urbana em Kampala, Uganda
Juliet Kiguli e Lillian N. Kiguli
A agricultura urbana está se tornando uma fonte cada vez mais importante de renda e de alimentos para a população urbana de Uganda. As mulheres têm pouco acesso à terra, como também acontece com os jovens migrantes pobres e marginalizados. Não existe um marco legal nem político que proteja os produtores urbanos e especialmente as mulheres. Apesar de alguns obstáculos culturais, Uganda adaptou ações afirmativas para melhorar as relações de gênero. Pressões e promoção nos níveis individual e organizacional são importantes para melhorar o acesso à terra e ao microcrédito.

Agricultura urbana e periurbana na Namíbia
S.J. Dima e A.A. Ogunmokun
Na Namíbia, a urbanização alcançou níveis explosivos desde a independência, em 1990, paralelamente à migração em massa das populações rurais para as áreas urbanas em busca de emprego. Sendo o país mais seco da África, a base agrícola da Namíbia é fraca. A maior parte das hortaliças e frutas vendidas nos centros urbanos da Namíbia é importada da África do Sul. Apesar dessas desvantagens, atividades intensivas de agricultura urbana, tanto com fins comerciais quanto de auto-consumo, são praticadas nos quintais, nas áreas livres maiores, e ao longo dos rios. Existe pouca informação disponível sobre essa atividade. Um estudo foi então conduzido para coletar, sintetizar e analisar toda a informação disponível sobre duas municipalidades na Namíbia: Windhoek e Oshakati.

Perspectivas de gênero na agricultura periurbana no Nepal
Kanhaiya Sapkota
A agricultura periurbana é praticada tradicionalmente no Nepal. Enquanto que a agricultura rural é predominantemente orientada para a subsistência, a agricultura dentro e ao redor das cidades é antes voltada para o mercado urbano. No Nepal não existem políticas regulando a agricultura periurbana. Manahara, a área mais baixa do distrito de Bhaktapur, localizado no vale do Kathmandu, é bem típica. Adequada para plantios em qualquer época do ano, a terra é cultivada principalmente para a produção intensiva de hortaliças. Localizada perto dos maiores centros urbanos, é a maior fonte de hortaliças perecíveis para a população da cidade, e os produtores têm fácil acesso a insumos.

Mulheres piscicultoras nas periferias de Kolkata
Madhumita Mukherjee, Rajarshi Banerjee, Arindam Datta, Soma Sen e Basundhara Chatterjee
As áreas alagadas a leste de Kolkata são reconhecidas como um ecossistema altamente produtivo e gerador de renda e emprego. Ele ajuda a limpar o meio ambiente da cidade e age como um agente catalítico para transformar os resíduos orgânicos urbanos em proteínas, na "AquaZone", com a produção de hortaliças, frutas, mudas etc. Ali, as mulheres de Bengala participam ativamente em várias atividades geradoras de renda para suas famílias. O projeto descrito nesse artigo foi implementado para desenvolver uma maior compreensão das tendências em desenvolvimento da piscicultura e suas implicações para a comunidade de piscicultores periurbanos de Kolkata. Um segundo objetivo foi investigar uma estratégia correta para fortalecer a participação efetiva das mulheres. O estudo foi feito em três sistemas periurbanos diferentes.

Agricultura urbana, organização familiar e autonomia feminina ao sul da cidade do México
Fernando Neira Orjuela
Este artigo é o resumo de uma tese de doutorado desenvolvida em San Luis Tlaxialtemalco, uma cidade na região de Xochimilco, na zona sul da Cidade do México, com uma população de 12.553 habitantes. Muitas microempresas agrícolas têm se formado na região para produzir hortaliças em estufas. Isso já se provou ser uma estratégia válida para as famílias dos produtores gerarem renda, e também serviu para aumentar a capacidade de decidir e a liberdade de movimentos das mulheres, desenvolvendo a sua autonomia.


Tradução: Joaquim Moura - críticas, comentários e sugestões: jmoura@hotmail.com e/ou www.agriculturaurbana.org.br