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Revista AGRICULTURA URBANA Nº 15

"As múltiplas funções da Agricultura Urbana" 


Sumário

Editorial

Multifuncionalidade e sustentabilidade da agricultura urbana

Os cenários para a horticultura periurbana em Hanói e Nanjing

As múltiplas funções da agricultura em Bohicon e Abomey, Benin

Promovendo a multifuncionalidade da agricultura urbana e periurbana em Hanói

Agroturismo multifuncional em Beijing

Agricultura urbana em South Durban Basin

Construindo a segurança alimentar dos bairros: o papel das hortas em parcelas

A agricultura urbana como um mecanismo para o melhoramento urbano

Construindo a segurança alimentar nos bairros de Rosario

Tornando a paisagem comestível: Como integrar a agricultura no desenvolvimento urbano

Hortas demonstrativas em Almirante Brown, Argentina

Multifuncionalidade dos espaços abertos periurbanos em Setif, Argélia

Trazendo a alma de volta para Wai’anae: a fazenda “Mala ‘Ai ’Opio”

Agricultura urbana na Holanda: A multifuncionalidade como uma estratégia organizacional

Paisagens urbanas produtivas contínuas: a agricultura urbana como infraestrutura essencial

Espaços comestíveis: a produção de alimentos nas cidades

A resposta dos agricultores às pressões urbanas sobre a terra: a experiência de Tamale

O uso multifuncional da terra em uma pequena comunidade praticando a agricultura urbana em Lagos

A agricultura urbana na Faixa de Gaza, Palestina

Da segurança alimentar ao alimento seguro: desenvolvimento urbano em Bucareste

Livros
Sitios web

Editorial- As múltiplas funções da agricultura urbana
Ao mesmo tempo em que se expandem e absorvem as áreas rurais à sua volta, as cidades em crescimento precisam lidar com uma grande variedade de necessidades de seus cidadãos. Hoje e cada vez mais as autoridades municipais percebem a relação entre a agricultura – dentro e ao redor das cidades – e diversas questões urbanas.

Multifuncionalidade e sustentabilidade da agricultura urbana
André Fleury e Awa Ba

As cidades, ao crescerem, tendem espontaneamente a engolir os espaços urbanos desocupados, ou seja, todas as áreas ainda não construídas cujas existências pareçam sem justificativa. Nesse processo, as áreas cultivadas vão sendo deslocadas para a periferia. Essa é a expressão espacial da lógica econômica de ocupação do solo, que, a longo prazo, tende a alcançar um equilíbrio entre a produtividade econômica e o valor da terra.
Os cenários para a horticultura periurbana em Hanói e Nanjing
Leo van den Berg, Nguyen Vinh Quang e Guo Zhongxing

“Buscar sinergia é sempre bom; o difícil é encontrá-la – é isto que o projeto SEARUSYN’ (“Seeking East Asian Rural Urban Synergy” = Buscando a Sinergia Urbana Rural no Leste Asiático), em Hanói e Nanjing, vem experimentando nos últimos dois anos. Em ambas as cidades, as terras agrícolas são de propriedade pública. Os produtores locais têm o direito de usá-las enquanto esse uso estiver de acordo com as prioridades estabelecidas pelas autoridades locais, municipais ou federais. Mas essas prioridades estão mudando: primeiro foi estimulada a mudança da produção de alimentos ricos em amido para a de hortaliças e outros produtos perecíveis e mais valorizados; hoje de fato a horticultura está muito disseminada nas periferias de Nanjing e de Hanói.
As múltiplas funções da Agricultura em Bohicon e Abomey, no Benin
Anne Floquet, Roch Mongbo e Juste Nansi

Na conurbação de Abomey-Bohicon, o espaço está organizado em halos, mas tem um padrão um pouco diferente (Floquet e outros, 2005). Os espaços livres localizados no centro da cidade são usados para vários propósitos, particularmente para cultivos de subsistência e descarte do lixo doméstico. Na periferia mais próxima, a criação semi-intensiva de animais e as atividades de processamento de alimentos são responsáveis pela criação de empregos, enquanto que na periferia mais distante os investimentos em culturas perenes e criação de gado dominam.
Promovendo a multifuncionalidade da agricultura urbana e periurbana em Hanói
Mubarik Ali, Hubert de Bon e Paule Moustier

As funções da agricultura urbana e periurbana podem também incluir a segurança alimentar para as famílias produtoras, a redução de veículos transportando alimentos vindos de longe, a reciclagem de resíduos orgânicos, a preservação da biodiversidade agrícola, os valores cênicos (paisagens), e a ajuda no controle das enchentes nas partes mais baixas das cidades. Este estudo quantifica algumas dessas funções da AUP em Hanói e propõe algumas recomendações de políticas para promover a produção segura e sustentável de alimentos e a multifuncionalidade da atividade agrícola na cidade. O documento é baseado em dados secundários originários do Departamento de Agricultura de Hanói, em uma pesquisa sobre a produção que incluiu 260 produtores urbanos e periurbanos, uma pesquisa sobre o consumo abrangendo 800 moradias em 2003, além de uma pesquisa incluindo 1400 comerciantes em 2002 e 2003.
Agroturismo multifuncional em Beijing
Jiang Fang, Yuan Hong, Liu Shenghe, Cai Jianming

Devido à rápida expansão urbana, as terras agrícolas de Beijing foram reduzidas nos últimos dez anos. Essa redução da terra agrícola na periferia de Beijing não causou nenhum dano econômico para quem vive nessa área, fato atribuído principalmente ao uso multifuncional da terra. Em Beijing, isso é particularmente importante, e gera cada vez mais renda para os agricultores devido à grande demanda dos moradores mais ricos da cidade. O uso da terra para o agroturismo em Beijing pode ser classificado em quatro tipos: excursões de visitação (sightseeing); lazer e férias; participação e experiência; ou exibição e demonstração. O governo desempenhou um papel importante no rápido desenvolvimento do setor.
Agricultura urbana em South Durban Basin
Paris Marshall Smith, Andreas de Neergaard, Mohammed Junaid Yusuf e Urmilla Bob
Hoje, na África do Sul, pode-se observar um movimento consciente em direção à mudança do uso do espaço urbano para encorajar maior interação e participação. Várias organizações e diversos grupos estão explorando as relações entre o uso da terra, sua titularidade e a cidadania. A sociedade civil da África do Sul está tentando renegociar as distorções históricas com relação ao acesso e à utilização da terra.
Construindo a segurança alimentar dos bairros: o papel das hortas em parcelas
Axel Drescher e Robert J. Holmer
Cagayan de Oro é uma das três cidades-modelo filipinas incluídas no Programa de Cidades Sustentáveis da ONU (UN-Habitat Sustainable Cities Program) devido a seus esforços para vencer os desafios do gerenciamento ambiental urbano e da segurança alimentar. Isso é particularmente evidente em seu programa de hortas em parcelas, que permite o uso multifuncional das terras, como a produção de alimentos e geração de renda, a reciclagem dos nutrientes presentes no lixo doméstico orgânico e no excreta humano, bem como a oferta de áreas abertas para atividades diversas da comunidade e das famílias.
A agricultura urbana como um mecanismo para o melhoramento urbano
K.A.Jayaratne
radicionalmente a agricultura não é considerada como atividade urbana nos projetos de planejamento e desenvolvimento das cidades ou nos planos de zoneamento e uso do solo, embora as áreas verdes sejam aceitas como fazendo parte das amenidades, belezas e paisagens que os residentes valorizam e desejam. Mesmo assim, muitos moradores das áreas urbanas de Colombo sempre estiveram envolvidos com várias atividades agrícolas, incluindo o cultivo de hortaliças em geral e de plantas cujas folhas são usadas na produção do curry, o plantio de árvores como coqueiros, a criação de gado e pombos, e a pesca nos cursos d’água próximos.
Construindo a segurança alimentar nos bairros de Rosario
Antonio Lattuca, Raul Terrile, Laura Bracalenti, Laura Lagorio, Gustavo Ramos e Fernando Moreira

O Programa de Agricultura Urbana (PAU) foi lançado pela prefeitura de Rosário em 2002, em meio a uma crise socioeconômica sem precedentes no país. Essa iniciativa marcou um passo importante no desenvolvimento de vários programas e políticas que se seguiram para apoiar e fortalecer este sistema alternativo de produção.
Tornando a paisagem comestível: Como integrar a agricultura no desenvolvimento urbano
Vikram Bhatt

Geralmente, quando são projetados os novos bairros e conjuntos habitacionais, dá-se pouca atenção aos aspectos paisagísticos. Principalmente quando se trata de conjuntos habitacionais para moradores de baixa renda, os recursos são sempre limitados e os investimentos vão todos para a construção das moradias e da infraestrutura. Somente quando o projeto está praticamente pronto é que se chama um paisagista para “embelezar” o ambiente; nesse ponto é tarde demais para qualquer sugestão importante e significativa para o projeto.
Hortas demonstrativas em Almirante Brown, Argentina
Kate Casale
As hortas demonstrativas constituem um uso valioso e multifuncional da terra, e dois programas sociais – o “Pro-Huerta” e o “Plan Jefe y Jefas de Hogares Desocupados – PJJHD” – estão utilizando este recurso em bairros de baixa renda no município de Almirante Brown, na região metropolitana de Buenos Aires.
Multifuncionalidade dos espaços abertos periurbanos em Setif, Argélia
Abdelmalek Boudjenouia, André Fleury, Abdelmalek Tacherift
Os espaços abertos urbanos hoje estão sujeitos a um debate acalorado sobre se eles devem ser vistos como uma reserva de terra necessária à expansão urbana no futuro, ou como um fator de qualidade ambiental a ser protegido. A manutenção e a recuperação dos espaços naturais são trabalhadas diferentemente em cada país, de acordo com sua história, cultura e recursos.
Trazendo a alma de volta para Wai’anae: a fazenda “Mala ‘Ai ’Opio”
Camille Tuason Mata
Quem poderia pensar que um projeto de Agricultura com Apoio Comunitário (AAC) poderia recuperar a auto-estima em uma comunidade marcada por jovens envolvidos com drogas e altas taxas de criminalidade, pobreza e desemprego? Essa era a situação que desafiava o casal Maunakea-Forths, que decidiram então desenvolver um trabalho com AAC – a fazenda orgânica “Mala ‘Ai ‘Opio” (também conhecida como MA’O), em Wai’anae, no Havaí, EUA.
Agricultura urbana na Holanda: A multifuncionalidade como uma estratégia organizacional
Marije Pouw e Joanna Wilbers
O uso multifuncional do solo e a Holanda tornaram-se praticamente sinônimos conforme a população desse pequeno país, às margens do Mar do Norte, aumentou durante as últimas décadas até alcançar uma densidade demográfica igualada apenas por poucos outros pontos no globo. As experiências de duas organizações envolvidas com agricultura urbana e uso multifuncional da terra na Holanda mostram como ambas utilizam seu caráter multifuncional como uma estratégia organizacional.
Paisagens urbanas produtivas contínuas: a agricultura urbana como infraestrutura essencial
Andre Viljoen & Katrin Bohn
Várias experiências demonstrando os efeitos benéficos – e em alguns casos, benefícios essenciais – da agricultura urbana já foram descritas nesta Revista e em outras publicações e sítios na internet. A maior parte dessas experiências revela os benefícios relacionados com a segurança alimentar e a renda, com um foco principal nos países do Sul. Entretanto, os benefícios da agricultura urbana são potencialmente aplicáveis para uma população mais ampla, já que a integração da agricultura urbana em uma estratégia de uso multifuncional (misto) da terra tem o potencial de reduzir significativamente a “pegada ecológica” de uma cidade. Esta questão surge quando analisamos por que a agricultura urbana não está sendo implementada ou difundida de um modo muito mais vigoroso nas cidades já implantadas e nas em desenvolvimento.
Espaços comestíveis: a produção de alimentos nas cidades
Ursula Lang
O FoodSpace é uma tese de Design apresentada na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e como tal ainda não foi implementada. Os sistemas atuais de produção de alimentos baseiam-se em uma separação espacial dos locais onde são produzidos com relação aos locais onde são consumidos. Os campos com monoculturas espalharam-se pela América do Norte em uma escala massiva. As rodovias interestaduais cortam esses campos, suportando o movimento de caminhões que transportam os alimentos por milhares de quilômetros. Os alimentos são cultivados, processados e embalados longe dos locais onde serão consumidos. Do ponto-de-vista do consumidor, a maior parte – senão toda – a cadeia alimentar (da produção e distribuição dos alimentos até as nossas mesas) continua sendo um processo inteiramente invisível, apesar de ele determinar o que comeremos e como comeremos os alimentos que nos mantêm vivos.
A resposta dos agricultores às pressões urbanas sobre a terra: a experiência de Tamale
Christina A. Amarchey
Durante as duas últimas décadas, o uso do solo em Tamale mudou bastante, de predominantemente agrícola (cultivos e criação de animais), para não-agrícola (como os espaços residenciais, de lazer, infraestrutura de transporte, áreas industriais e de vazão de lixo), quase sempre obedecendo ao fenômeno irresistível da urbanização.
O uso multifuncional da terra em uma pequena comunidade praticando a agricultura urbana em Lagos
Vide Anosike, Shakirudeen Odunuga & Mayowa Fasona
O uso do solo reflete as atividades funcionais conferidas a um pedaço de terra em particular. Nos últimos 50 anos do Plano Nacional Nigeriano de Desenvolvimento Agrícola, a agricultura urbana não era promovida como uma atividade ou uso viável do solo urbano. Sua contribuição para a segurança alimentar e o emprego da população não era reconhecida, mesmo por que a produção de alimentos era considerada uma atividade tipicamente rural.
A agricultura urbana na Faixa de Gaza, Palestina
Luc Laeremans e Ahmed Sourani
A população de Gaza está aumentando rapidamente na medida em que cidades e campos de refugiados continuam crescendo. A produção agrícola de grande escala, orientada para exportação, já alcançou o seu limite e não é capaz de atender as necessidades crescentes por segurança alimentar e geração de renda da população local. Entretanto, quase toda a agricultura em Gaza pode ser considerada como urbana, e é grande o seu potencial.
Da segurança alimentar ao alimento seguro: desenvolvimento urbano em Bucareste
Sorin Liviu Stefanescu e Monica Dumitrascu
A aguardada integração da Romênia à União Européia levou a uma significativa mudança de percepção com relação aos problemas ambientais por parte dos formuladores de políticas públicas, tanto nas áreas rurais quanto nas urbanas. Com mais de 2 milhões de habitantes, Bucareste é a maior cidade do país, tem a menor taxa de desemprego (4%) e enfrenta uma alta pressão por moradia. Na década passada, a agricultura urbana era vista como uma questão sem importância, nos níveis local e nacional, mas recentemente avalia-se a qualidade da agricultura periurbana e o impacto da indústria sobre a qualidade dos alimentos consumidos na cidade.
Esta é uma publicação da Direção de Agricultura Urbana de IPES - Promoción del Desarrollo Sostenible
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