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Revista AGRICULTURA URBANA Nº 17

"Fortalecendo as organizações de produtores urbanos" 


Sumário

Editorial

Organizações sociais de agricultores na América Latina e Europa: lições aprendidas e desafios

Uma agenda inter-regional de pesquisa e ação: recomendações para fortalecer as organizações sociais de produtores urbanos e periurbanos

A Rede de Agricultores Urbanos de Vila Maria Del Triunfo

A Rede de Horticultores de Rosário (Argentina)

Alianças estratégicas: a Associação dos Produtores Orgânicos do Uruguai

Influenciando a política municipal: as experiências dos horticultores de Amsterdã

Para uma maior compreensão das organizações de produtores de baixa-renda

Organizações de agricultores urbanos e periurbanos no Cairo

Associação dos Produtores de Hortaliças Orgânicas de Gyinyase, em Kumasi, Gana

Organizando grupos de produtores urbanos na cidade de Nairóbi e em sua periferia

Alianças entre agricultores e outros atores sociais em Dacar

Organizações de agricultores de Bamako: Novas alianças para proteger seu direito à terra

A Associação da Horta Comunitária em Parcelas de Siyazama (Siyazama Community Allotment Garden Association – SCAGA) Cidade do Cabo, África do Sul

Uma cooperativa de bairro que ajuda toda a cidade

Diferentes tipos de Cooperativas Agrícolas de produtores periurbanos na China: dois casos

Associações agrícolas comerciais nas áreas urbanas e periurbanas de Lima, Peru

Criando oportunidades comerciais para as mulheres produtoras do Quênia

 

Editorial- Fortalecendo as organizações de produtores urbanos
Cada vez mais as autoridades locais vão percebendo o importante papel que a agricultura urbana pode desempenhar no desenvolvimento sustentável de suas cidades, especialmente na erradicação da fome e da miséria. As organizações de produtores urbanos são vistas como importantes atores nesse processo, e procuraram representar seus membros em diversos foros (p.ex. no diálogo político, no planejamento de projetos etc.) e atuar como um canal para fornecer assistência técnica e outros serviços para seus membros.

Organizações sociais de agricultores na América Latina e Europa: lições aprendidas e desafios
Alain Santandreu e Cecilia Castro

Em um esforço para melhorar o seu conhecimento e o impacto positivo de sua ação nas realidades locais, o IPES e o ETC-Urban Agriculture, em parceria com instituições e pesquisadores locais, e com apoio do IDRC (Canadá), desenvolveram, entre 2005 e 2006, um projeto chamado “Organizações sociais de produtores urbanos e periurbanos (Social organisations of urban and periurban producers - SOUPP): modelos de gestão e alianças inovadoras para maior influência política”.
Uma agenda inter-regional de pesquisa e ação: recomendações para fortalecer as organizações sociais de produtores urbanos e periurbanos
Dentro do marco do projeto do IPES-ETC-IDRC denominado “organizações sociais de produtores urbanos e periurbanos: modelos gerenciais e alianças inovadoras para maior influência política” (sobre o qual os artigos anteriores versam), foi formulada uma agenda inter-regional de pesquisa-ação baseada nos dados colhidos junto às organizações de produtores urbanos e periurbanos. A agenda destaca aspectos internos às organizações, que precisam ser fortalecidos, e também os ligados ao apoio externo, e pretende guiar todos os atores envolvidos no desenvolvimento de novos projetos de pesquisa e ação relacionados com essas organizações.
A Rede de Agricultores Urbanos de Vila Maria Del Triunfo
Noemí Soto e Cecilia Castro

Em várias cidades da América Latina os governos locais têm apoiado a organização de agricultores urbanos. Para tanto, a forma preferida geralmente é a de "rede", por causa de sua flexibilidade. Dessa maneira os agricultores trabalham coletivamente, mas sem formalização. Duas de tais redes de produtores podem ser encontradas em Vila Maria del Triunfo e em Rosário. Na cidade de Vila Maria del Triunfo (VMT), na região metropolitana de Lima, Peru, a agricultura urbana é praticada principalmente pelos membros da Rede de Produtores Urbanos, que inclui atualmente mais de 2.000 produtores e que está passando agora pela fase de formalização e consolidação.
A Rede de Horticultores de Rosário (Argentina)
Raúl Terrile

Os horticultores e agricultores urbanos de Rosário – em sua maioria moradores pobres urbanos – reuniram-se em uma rede informal com o objetivo de reforçar suas conquistas e consolidar sua presença junto à administração da cidade. Atualmente esta rede está passando por um processo de fortalecimento organizacional.
Alianças estratégicas: a Associação dos Produtores Orgânicos do Uruguai
Alfredo Blum

A Associação dos Produtores Orgânicos do Uruguai (APODU) é uma organização de âmbito nacional dos produtores orgânicos rurais e periurbanos. O CIEDUR realizou uma pesquisa, em 2005 e 2006 (2), que se concentrou nos produtores da área metropolitana de Montevidéu, capital do Uruguai.
Influenciando a política municipal: as experiências dos horticultores de Amsterdã
Johan van Schaick
Em 2001, a prefeitura de Amsterdã iniciou preparativos para o processo de planejamento espacial da cidade para o período 2002-2010. O plano, chamado "Escolhendo o urbanismo", objetivava localizar as funções residenciais e econômicas dentro dos limites da cidade, e concentrar as áreas verdes em sua periferia. Entre outros passos, o plano incluía eliminar cinco hortas-parque (divididas em parcelas de cultivo individual ou familiar) para construir moradias e equipamentos urbanos de infra-estrutura. Isso levou a organização responsável pelo funcionamento das hortas-parque – a Associação de Hortas em Parcelas (em holandês, Bond van Volkstuinders - BvV) – a adotar uma estratégia nova e diferente para influenciar a política, conforme descreve este artigo.
Para uma maior compreensão das organizações de produtores de baixa-renda
Clarissa Ruggieri
O projeto “Agricultura Urbana e Periurbana: para uma maior compreensão das organizações de produtores de baixa renda”, desenvolvido pela parceria entre a FAO e o IDRC, objetiva identificar soluções concretas para as dificuldades enfrentadas pelos grupos de produtores urbanos que buscam assegurar uma fonte de renda sustentável para os seus membros. Neste artigo, alguns resultados preliminares serão analisados com relação à capacidade dos grupos para alcançar a auto-suficiência e a sustentabilidade, e sobre o papel dos prefeitos, autoridades locais e técnicos municipais para promover um ambiente politicamente favorável para a participação da sociedade civil, favorecendo o empreendedorismo dos produtores e a sua capacitação.
Organizações de agricultores urbanos e periurbanos no Cairo
Irene S. Egyir
Muitos pequenos empreendimentos agrícolas urbanos em Accra estão inscritos como membros de organizações informais que investem pouco capital e colhem poucos rendimentos, embora alianças mais formalizadas lhes pudessem garantir maior poder de barganha e negociação com as autoridades urbanas e outros grupos. Esse artigo descreve os resultados de um estudo iniciado pela FAO na cidade de Accra, Gana. Cada membro individual representado em uma organização de produtores é um ator na operação. Confiança é um fator básico nas alianças informais.
Associação dos Produtores de Hortaliças Orgânicas de Gyinyase, em Kumasi, Gana
Osei Kwame Boateng, Bernard Keraita e Maxwell S.K. Akple

Em Kumasi existem cerca de 10 locais principais de produção de hortaliças com finalidade comercial, muitos deles ligados a associações de produtores. A Associação dos Produtores de Hortaliças Orgânicas de Gyinyase (Gyinyase Organic Vegetable Growers’ Association - GOVGA) é uma grande associação de horticultores urbanos em Kumasi, criada pela fusão de associações menores que atuavam em três desses locais de produção.
Organizando grupos de produtores urbanos na cidade de Nairóbi e em sua periferia
Zarina Ishani e Zaynah Khanbhai

A agricultura urbana na Cidade do Cabo envolve principalmente o cultivo de hortaliças, embora a visão do gado passeando pelas ruas também seja bem familiar para os moradores da cidade. Durante os últimos cinco anos, a Cidade do Cabo vem formulando uma política sobre agricultura urbana que pretende apoiar o melhoramento da qualidade de vida de seus cidadãos em termos de segurança alimentar e de desenvolvimento econômico.
Alianças entre agricultores e outros atores sociais em Dacar
Awa BA
Embora Vancouver seja uma cidade de modernos arranha-céus e de amenidades urbanas bem contemporâneas, ela também está localizada no interior de uma das zonas agrícolas mais produtivas do Canadá. Como ela combina condições climáticas favoráveis com políticas municipais que encorajam o desenvolvimento sustentável, o resultado é que nela a agricultura urbana está prosperando.
Organizações de agricultores de Bamako: Novas alianças para proteger seu direito à terra
Andrés Vélez-Guerra
A falta de segurança com relação ao acesso e à posse de terrenos produtivos urbanos prejudica a capacidade dos pobres para praticar e sustentar a agricultura urbana. As evidências empíricas colhidas junto aos grupos de produtores urbanos e periurbanos em Bamako, Mali, sugere que, conforme a urbanização se intensifica no interior e periferia das cidades, a escassez de terras estimula o envolvimento político e a organização dos agricultores de modo a proteger seu modo de vida e o direito à terra.
A Associação da Horta Comunitária em Parcelas de Siyazama (Siyazama Community Allotment Garden Association – SCAGA) Cidade do Cabo, África do Sul
Rob Small
A agricultura urbana tem sido praticada na Cidade do Cabo há muitos anos, e envolve muitos tipos diferentes de atividades. Atualmente existe na cidade um movimento organizado e crescente voltado para a agricultura e horticultura urbanas com base orgânica e comunitária. Esse movimento é liderado por grupos como a Associação Vukuzenzela de Agricultores Urbanos (Vukuzenzela Urban Farmers Association - VUFA). A Associação Plantadores Domésticos (Abalimi Bezekhaya - Planters of the Home), que dá apoio à VUFA, é uma das principais organizações de agricultura urbana na Cidade do Cabo.
Uma cooperativa de bairro que ajuda toda a cidade
Mario Gonzalez Novo
Em Havana, Cuba, em 1997, em uma das áreas de maior densidade populacional, cinco bairros uniram-se em um esforço para produzir seus próprios alimentos. Hoje esse objetivo realizou-se como uma cooperativa muito bem sucedida e um exemplo para outras iniciativas semelhantes.
Diferentes tipos de Cooperativas Agrícolas de produtores periurbanos na China: dois casos
Feifei Zhang, Guoxia Wang e Jianming Cai
Em 1978, a China começou a desmontar o sistema de comunas e o chamado “comendo do mesmo grande pote”, que existiu por décadas – o total igualitarismo, onde todos recebem o mesmo benefício independentemente de seu desempenho produtivo. As terras das vilas começaram a ser arrendadas às famílias camponesas, por 30 anos na maioria dos casos, e um sistema de “contrato familiar de responsabilidade” (household contract responsibility) foi introduzido, estabelecendo cotas produtivas para cada família, com remuneração proporcional à produção.
Associações agrícolas comerciais nas áreas urbanas e periurbanas de Lima, Peru
Jessica Alegre, Dennis Escudero e Omar Tesdell
O grande mercado de Lima oferece uma oportunidade para os agricultores urbanos e periurbanos dos bairros da zona leste da cidade venderem os seus produtos. Porém os estudos realizados na cidade pelo Programa Colheita Urbana, do PIC, revelaram que o atual sistema de comercialização dos produtos da agricultura urbana está subdesenvolvido. Além disso, há uma falta de confiança e de capacidade aliada à insegurança, entre os produtores urbanos, para se organizarem e melhorarem sua atividade por meio de processos de aprendizado social e de esforços coordenados para melhorar a gestão comercial. Este artigo descreve o esforço para melhorar essa situação.
Criando oportunidades comerciais para as mulheres produtoras do Quênia
Mwangi Stanley, Mumbi Kimathi, Mary Kamore, Nancy Karanja e Mary Njenga
As hortaliças folhosas africanas (HFAs) são tradicionalmente um elemento importante na dieta de muitos africanos, mas seu mercado se manteve pouco desenvolvido pela falta de esforços bem sucedidos para comercializar a produção. A origem de alguns lotes significativos de hortaliças vendidas em um mercado de Nairóbi foi rastreada e na maioria das vezes levou a colheitas na natureza e a cultivos praticados por mulheres pequenas produtoras do Quênia ocidental – a 400 km de Nairóbi. Na maioria das vezes, intermediários e comerciantes embalavam as hortaliças em sacos que eram transportados para Nairóbi em ônibus noturnos. Esse sistema reduzia dramaticamente a qualidade das hortaliças. As intervenções iniciadas em 2002 pela Farm Concern International - FCI e seus parceiros mudaram substancialmente essa situação.
Esta é uma publicação da Direção de Agricultura Urbana de IPES - Promoción del Desarrollo Sostenible
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