A
agricultura urbana é realizada em pequenas áreas dentro de uma cidade,
ou no seu entorno (peri-urbana), e destinada à produção de cultivos
para utilização e consumo próprio ou para a venda em pequena escala,
em mercados locais. Difere da agricultura tradicional (rural) em
vários aspectos: Inicialmente, a área disponível para o cultivo
é muito restrita na agricultura urbana. Além disso, há escassez
de conhecimentos técnicos por parte dos agentes/produtores diretamente
envolvidos; freqüentemente não há possibilidade de dedicação exclusiva
à atividade; a atividade destina-se, normalmente, para utilização
ou consumo próprio; há grande diversidade de cultivos; e a finalidade
da atividade é distinta, pois normalmente não é requisito para a
agricultura urbana a obtenção de lucro financeiro.
Observa-se,
porém, uma relação muito forte entre a agricultura rural/tradicional
e a agricultura urbana, sendo esta última normalmente praticada
mais intensamente em regiões ou municípios que tenham tradição agrícola
no meio rural.
O
principal aspecto no qual a agricultura urbana difere da rural,
no entanto, é o ambiente. A agricultura urbana pode ser realizada
em qualquer ambiente urbano ou peri-urbano, podendo ser praticada
diretamente no solo, em canteiros suspensos, em vasos, ou onde a
criatividade sugerir. Qualquer área disponível pode ser aproveitada,
desde um vaso dentro de um apartamento até extensas áreas de terra,
sob luz natural ou artificial. Exige, no entanto, alguns cuidados
especiais, como sombreamento parcial, especialmente para a formação
de mudas e onde ocorra alta insolação, e irrigação cuidadosa e freqüente.
E no caso de utilização de luz artificial deve-se ter alguns cuidados
especiais, como intensidade de luz e fotoperíodo.
Existem
muitas maneiras e motivos para se praticar a agricultura urbana,
e diversas vantagens podem ser obtidas através dessa prática, dentre
elas citamos as mais comumente observadas:
-
Produção de alimentos - incremento da quantidade e da qualidade
de alimentos disponíveis para consumo próprio.
-
Reciclagem de lixo - utilização de resíduos e rejeitos domésticos,
diminuindo seu acúmulo, tanto na forma de composto orgânico para
adubação, como na reutilização de embalagens para formação de mudas,
ou de pneus, caixas, etc. para a formação de parcelas de cultivo,
por exemplo.
-
Utilização racional de espaços - melhor aproveitamento de espaços
ociosos, evitando o acúmulo de lixo e entulhos ou o crescimento
desordenado de plantas daninhas, onde poderiam abrigar-se insetos
peçonhentos e pequenos animais prejudiciais à saúde humana.
-
Educação ambiental - todas as pessoas envolvidas com
a produção e com o consumo das plantas oriundas da
atividade de agricultura urbana passam a deter maior conhecimento
sobre o meio ambiente, aumentando a consciência da conservação
ambiental.
- Desenvolvimento
humano - aliada à educação ambiental e à
recreação, ocorre melhoria da qualidade de vida e
prevenção ao estresse, além da formação
de lideranças e trocas de experiências.
- Segurança
alimentar - favorece o controle total de todas as fases de produção,
eliminando o risco de se consumir ou manter contato com plantas
que possuam resíduos de defensivos agrícolas.
- Desenvolvimento
local - valoriza a produção local de alimentos e outras
plantas úteis, como medicinais e ornamentais, fortalecendo
a cultura popular e criando oportunidades para o associativismo.
- Recreação
e Lazer - a agricultura urbana pode ser usada como atividade recreativa/lúdica,
sendo recomendada para desenvolver o espírito de equipes.
- Farmácia
caseira - prevenção e combate a doenças através
da utilização e aproveitamento de princípios
medicinais.
- Formação de microclimas e manutenção
da biodiversidade - através da construção de
um quintal agroecológico, que favoreça a manutenção
da biodiversidade, proporcionando sombreamento, odores agradáveis
e contribuindo para a manutenção da umidade, etc.,
tornando o ambiente mais agradável e proporcionando, inclusive,
qualidade de vida aos animais domésticos.
- Escoamento
de águas das chuvas e diminuição da temperatura
- favorece a infiltração de água no solo, diminuindo
o escorrimento de água nas vias públicas, e contribuindo
para diminuição da temperatura, devido à ampliação
da área vegetada e respectiva diminuição de
áreas construídas.
- Valor estético
- a utilização racional do espaço confere um
excelente valor estético, valorizando inclusive os imóveis.
- Diminuição
da pobreza - através da produção de alimentos
para consumo próprio ou comunitário (em associações,
escolas, etc.), e eventual receita da venda dos excedentes.
- Atividade
Ocupacional - proporciona ocupação de pessoas, evitando
o ócio, contribuindo para a educação social
e ambiental, diminuindo a marginalização dessas pessoas
na sociedade.
- Renda - possibilidade
de produção em escala comercial, especializada ou
diversificada, tornando-se uma opção para a geração
de renda.
Além das vantagens já discutidas sobre a prática
da agricultura urbana, deve-se ter em mente, ainda, algumas outras
características, como o uso intensivo do solo, a exigência
de tratos culturais intensivos, o alto custo dos insumos empregados,
o retorno rápido do capital investido, e a exigência
de agilidade na comercialização, no caso de agricultura
comercial
Nessa atividade,
podem-se cultivar quaisquer culturas agrícolas de interesse,
desde que o ambiente satisfaça suas exigências climáticas,
tais como hortaliças, plantas medicinais, plantas ornamentais
e outras.
As hortaliças podem ser divididas em três grupos:
a) Hortaliças
de folhas, flores e hastes. Ex.: agrião, acelga, alface,
almeirão, aspargo, brócolos, cebolinha, couve, couve-flor,
coentro, espinafre, repolho, rúcula e salsa.
b) Hortaliças
de frutos. Ex.: abóbora, abobrinha, berinjela, chuchu, ervilha,
feijão-vagem, jiló, pepino, pimentão, pimenta,
quiabo, tomate e milho-verde.
c) Hortaliças
de raízes, tubérculos, bulbos e rizomas. Ex.: alho,
batata-doce, beterraba, cará, cebola, cenoura, couve-rábano,
mandioca, nabo e gengibre.
Diversas plantas já tiveram seu valor medicinal comprovado,
sendo úteis para a composição de uma farmácia
doméstica. A maioria das plantas é de fácil
cultivo, e são comumente encontradas em hortas e quintais,
tanto na zona urbana como na zona rural. Entre elas podemos citar
a erva-cidreira, o capim-limão, o alho, a babosa, a arnica,
a erva-doce, a erva-mate, a hortelã, a malva, o maracujá,
a quina e a romã, dentre muitas outras. A utilização
dessas plantas medicinais deve obedecer orientação
segura, normalmente prestada por profissionais como fitoterapeutas
e nutricionistas.
Desde o início da civilização o ser humano
tem observado a beleza das plantas, e aproveita-se dessa característica
para embelezar o ambiente em que vive. Muitas plantas são
cultivadas com finalidade quase que exclusiva de ornamentação,
como a rosa, as diversas variedades de crisântemo, as cercas
vivas, as gramas de jardim, as tuias, os cactos, além de
uma infinidade de plantas arbustivas, floríferas, frondosas,
etc. Além disso, muitas plantas apresentam tanto características
ornamentais como medicinais, além de serem fonte de alimento.
É o exemplo de muitas frutíferas, como a romã,
a goiaba e a manga. As plantas ornamentais contribuem para tornar
mais agradável o ambiente em que vivemos, seja em casa ou
no local de trabalho, e a utilização dessas plantas
é um desafio para nossa criatividade.
Outras utilidades
podem ser dadas ainda para as plantas cultivadas em meio urbano.
Por exemplo o plantio de árvores para sombreamento de ruas
e praças, onde se utilizam várias espécies
de palmeiras, a seringueira, o ficus, o flamboiant, o chorão,
a castanheira, a sibipiruna, a magnólia, a seringueira e
o pau-ferro, dentre muitas outras; além as cercas vivas,
onde se utilizam o bucho, o cipreste, o pingo-de-ouro, o hibisco,
a areca-bambu, o ficus e a hera, etc.