Jornal
Granma, de 14 de janeiro de 2005
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Agricultura
urbana emprega 384 mil pessoas
• Produção de hortaliças vem
crescendo desde 1996 mas ainda é insuficiente
• Na capital, os preços são mais elevados que
no restante do país
• Ante a prolongada seca serão promovidas as pequenas
hortas durante este ano
POR RAISA PAGÉS — do Granma Internacional
EM Cuba, 75%
da população vive em zonas urbanas. Número
similar existe na América Latina, no Caribe e no mundo industrializado.
Contudo, na África e na Ásia a população
é predominante das zonas rurais.
Segundo previsões
das Nações Unidas este século será de
grande explosão demográfica urbana. Daqui a 20 anos,
a população urbana duplicará. Em contraste,
o aumento dos habitantes rurais será mais devagar.
Dentro dum decênio, 400 cidades terão mais de um milhão
de habitantes, no mundo em desenvolvimento.
Como oferecer hortaliças frescas a essas grandes cidades?
A agricultura urbana não é só uma alternativa
aplicável ao mundo em desenvolvimento, como alguns pensam.
Antes de ser aplicada em Cuba, os Estados Unidos e outras nações
obtinham boa parte dos alimentos em hortas urbanas ou nas periferias,
não só pelo aumento do crescimento populacional, mas
também para reduzir distâncias de transporte nos produtos
que devem chegar frescos aos clientes.
A agricultura urbana surgiu com força, na Ilha, em 1996,
quando as condições de escassez de alimentos promoveram
maior interesse por cultivar hortaliças nos quintais e terrenos
ermos ou nas antigas lixeiras das cidades.
Porém, a partir de 1987, o general-de-exército Raúl
Castro orientou expandir e tornar geral esta prática, tendo
em vista os resultados obtidos pela unidade Horti-FAR, na periferia
da capital, com a cultura de hortaliças utilizando matéria
orgânica.
Então, a modalidade de produzir alimentos nas cidades foi
se consolidando em Cuba. A agricultura urbana gerou 384 mil novos
empregos no país todo, contando com 82.515 mulheres, 78.312
jovens, 37.562 aposentados, além de milhares de técnicos
de nível médio e profissionais.
2004: ANO ATÍPICO
A seca e o açoite
de dois furacões provocaram grandes danos aos agricultores
do campo e da cidade, durante 2004.
No ano passado, foram produzidos 4 milhões de toneladas de
hortaliças em zonas urbanas para uma população
global de 11,2 milhões de habitantes. Esperava-se ultrapassar
essa cifra para manter o crescimento que existia desde 1996, mas,
os problemas climáticos o impediram.
Existem mais de 9 mil bancas para vender hortaliças frescas
à população, insuficientes para uma população
ávida de consumir hortaliças frescas a preços
módicos, sobretudo na capital.
O presidente da Comissão Nacional da Agricultura Urbana,
dr. Adolfo Rodríguez Nodals, reconheceu que a procura ainda
não está coberta em muitas zonas da Ilha, onde os
preços das hortaliças são elevados.
«É necessário incrementar a oferta à
população, com certeza temos crescido mas não
suficiente, há territórios onde ainda é insuficiente
e em geral não são satisfeitas as necessidades»,
opinou o secretário do Comitê Executivo do Conselho
de Ministros, Carlos Lage, em um encontro efetuado em Havana, com
produtores urbanos do país.
Lage afirmou que é necessário melhorar a oferta de
hortaliças no verão, embora as variedades não
fossem tantas como no inverno pelas temperaturas elevadas. Prevê-se
uma queda da produção nos meses mais quentes do ano
e existem hortaliças que se podem produzir ainda que o calor
seja intenso.
Outro dos entraves da natureza é a intensa seca. Foram esgotadas
as fontes de água de mais de 4 mil hortas existentes no país.
A colheita destes alimentos realiza-se em canteiros com matéria
orgânica, o que possibilita a colheita de hortaliças
em terrenos não férteis e rochosos.
«Tivemos e temos que mudar os sistemas de irrigação
de um lugar para outro pelo esgotamento das fontes de água,
e isto atrasa a produção», explicou Rodríguez
Nodals. «Estamos construindo poços artesanais em muitos
lugares e tivemos que mudar a estrutura de culturas para semear
plantas que não precisem de muita água para seu crescimento.
«Todas as hortaliças precisam de muita água,
mas, as que têm folhas, como o alface, devem ser irrigadas
todos os dias. Contudo, o tomate, a berinjela e o quiabo são
mais resistentes à seca.
«Quando dos furacões, só sobreviveram culturas
como alho e espinafre. Houve que começar de novo em muitas
hortas e cultivar hortaliças de crescimento rápido»,
disse Rodríguez Nodals.
PROMOVER PEQUENAS
HORTAS
Em meio desta
situação climática, expressou que estão
sendo promovidas pequenas hortas familiares. Foram fabricados 15
mil regadores para distribuir no país todo e serão
entregues mais aparelhos desse tipo», afirmou.
A agricultura urbana explora 59 mil hectares no país. Desta
superfície, 37 mil são pequenas parcelas e 13 mil
quintais familiares. O restante são hortas intensivas, com
melhores tecnologias de irrigação.
Embora a capital seja um dos territórios que mais aproveita
a área disponível em comparação com
outros, o qual foi reconhecido pelo general-de-exército Raúl
Castro, ainda ficam municípios onde se podem explorar mais
terrenos, como Guanabacoa, Boyeros e La Lisa.
Ante a perspectiva de que a seca seja um fenômeno com o qual
devemos conviver, assinalou que durante este ano promoverão
mais os pequenos espaços familiares ou comunitários,
juntamente com os Comitês de Defesa da Revolução
(CDRs).
Para a Comissão Nacional da Agricultura Urbana, que faz percursos
freqüentes e sistemáticos pelo país, ainda fica
muita terra para explorar em áreas urbanas. Os cálculos
dos peritos indicam que há terra disponível para criar
cerca de 3 milhões de hortas de 0,3 hectares, na Ilha toda.
Para este ano, previu-se completar o primeiro milhão de quintais
familiares ou comunitários, ligados aos CDRs.
ALGUMAS DEFICIÊNCIAS
O programa dos
culturas durante o segundo e terceiro trimestre do ano é
ainda deficiente, o qual provoca escassa variedade de hortaliças
nos meses de agosto, setembro e outubro.
Os problemas climáticos têm feito com que diminuam
as culturas. Enquanto a média nacional de rendimento das
hortas é de 16-17 quilos por metro quadrado, há unidades
que conseguem muito mais, com a rotação das terras
e outras medidas.
Nas hortas intensivas a média é de 14 quilos e nas
parcelas é de 11 quilos por metro quadrado.
Áreas mais pequenas e de fácil operação
ante a escassez de água são uma boa proposta para
este ano. Os moradores da capital estão desejosos de consumir
hortaliças frescas, mas, os preços atuais não
estão ao alcance da maioria da população.
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