Original text in English: http://www.undp.org/news/newpress.htm


Agricultura Urbana ajuda a combater a pobreza e a desnutrição

Um sétimo da produção mundial de alimentos é cultivado em terrenos baldios, telhados, coberturas, antigos lixões e em outros espaços urbanos. Em todo o mundo, há mais de 800 milhões de agricultores urbanos.

Nova York , 13 de fevereiro de 1996 -- A agricultura urbana está ajudando centenas de milhões de famílias a superarem a pobreza extrema e está melhorando a saúde e nutrição de habitantes das cidades através do mundo, afirmou um relatório publicado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD - UNDP).

A agricultura urbana é praticada por mais de 800 milhões de pessoas, revela o relatório intitulado "Agricultura Urbana: Alimentos e Empregos e Cidades Sustentáveis". Ela acontece em todas as regiões do mundo - tanto nos países desenvolvidos como nos em desenvolvimento - mas que é mais difundida nos países asiáticos.

A agricultura urbana vai desde colheitas em telhados até a criação de pequenos animais nos quintais, chegando até à produção de peixes em poços, riachos e lagoas.

Para os mais pobres dos pobres, a agricultura urbana provê acesso a alimentos e ajuda a evitar a desnutrição, diz o relatório.  Para os "nem tão" pobres, ela oferece uma fonte de renda e alimentação melhor a baixo custo. E para as famílias de renda maior, oferece a possibilidade de comprar alimentos frescos mais baratos ou mesmo um retorno financeiro ao permitir a utilização de lotes urbanos não edificados, de sua propriedade.

De acordo com o relatório, as famílias mais pobres do mundo tendem a gastar até 90% de sua renda com alimentos.  Para essas pessoas, a agricultura urbana oferece uma oportunidade para uma alimentação melhor e uma chance de transferir seus gastos para outras necessidades, como cuidados com a saúde e habitação. Em São Paulo, Brasil, os lares urbanos - na média geral - dedicam 50% de sua renda para comprar alimentos. A situação é pior em Istambul, Turquia, onde 60% da renda média vai para alimentação. Em Lima, Peru, o número sobe para 70%, e em Ho Chi Minh, Viet Nam, o total para comida consome 80% da renda média familiar.

A agricultura urbana, que está em ascensão em toda a parte onde as populações urbanas estão a inchar, também está ajudando a criar empregos. Em Calcutá, India, por exemplo, cerca de 20.000 pessoas encontraram  trabalho e renda cultivando nas áreas próximas aos lixões da cidade.

"A agricultura urbana cria postos de trabalho - hoje cada vez mais raros - para muitos habitantes das cidades.", diz o relatório.  "Ëm algumas cidades, chega a 1/5 ou até 2/3 a presença de famílias urbanas dedicadas à agricultura, sendo que cerca de 1/3 delas tên na agricultura urbana seu único meio de vida.

"A agricultura urbana é uma atividade econômica competitiva e é a atividade escolhida por milhões de microempreendedores urbanos," revela o relatório. "Ela também oferece oportunidades de geração de renda para pessoas com baixa escolaridade e pouco capital, bem como para pessoas com dificuldades para se deslocarem para longe de casa, incluindo as mulheres, as crianças e os idosos."

Mas os benefícios da agricultura urbana vão além do melhoramento nutricional, redução da pobreza e criação de renda para os pobres. Os benefícios ambientais são igualmente significativos, o relatório aponta.

"A agricultura urbana transforma o lixo de um problema a um recurso, reduz o custo público do manejo do lixo e provê um meio ambiente mais saudável." Em Khartoum, por exemplo, cerca de 1/4 do lixo orgânico da cidade é consumido por criações de animais na periferia da cidade. Em Calcutá, os esgotos da cidade são dirigidos a cercad 3.000 ha de lagoas, que produzem 6.000 tons de peixe por ano. E no estado da Califórnia, 200 centros de tratamento de águas servidas recuperam, diariamente, cerca de 800.000 m2 de água, quase toda para uso agrícola.

Mas não há apenas boas notícias... A agricultura urbana pode ter um aspecto negativo, alerta o relatório. Quando as fezes humanas são usadas como fertilizante, os consumidores correm o risco de contrair doenças como cólera e hepatite. E o uso indiscriminado de pesticidas e adubos químicos pode contaminar os lençóis d'água (e os alimentos consumidos).

Muito frequentemente, os governos têm se confrontado esses problemas tentando coibir a agricultura urbana, e se recusando a reconhecer as cidades como fontes importantes de alimentos e de riqueza econômica pelo trabalho agrícola. Uma solução melhor é implementar políticas que encorajem os produtores "rurbanos" a prosseguirem produzindo alimentos, mas protegendo as pessoas dos principais problemas sanitários, propõe o relatório.

Por que os governos têm quase sempre falhado em apoiar a agricultura urbana, ou em compreender como ela funciona, seu potencial econômico tem permanecido pouco aproveitado. "Tornou-se evidente que a agricultura urbana tem sido subestimada em quase todos os países - e quase sempre desprezada pela comunidade que trabalha com desenvolvimento internacional," afirma Anders Wijkman, "Assistant Administrator" do UNDP, na apresentação do relatório. Mas, por meio de algumas poucas leis e iniciativas, o potencial da agricultura urbana pode ser liberado e o setor poderá se tornar uma formidável força econômica no século XXI.

O relatório é baseado em uma pesquisa de três anos financiada principalmente pelo UNDP e realizada principalmente pela Urban Agriculture Network, uma ONG sediada em Washington.

O relatório é o primeiro de uma série de publicações a serem editadas pelo UNDP em 1996 para orientar o debate a se realizar na conferência HABITAT-II, patrocinada pela ONU, em Istanbul em junho.

Para receber uma cópia do relatório Urban Agriculture: Food, Jobs and Sustainable Cities, os interessados devem escrever para UNDP, Urban Development Unit, DC1-2080, One United Nations Plaza, New York, NY 10017, ou mandar um fax para (212) 906-6471.