Agricultura
Urbana e Periurbana:
Questões e perspectivas Ana
Victória Vieira Martins Monteiro -
(1) - amonteiro@iea.sp.gov.br
Este trabalho
apresenta sucintamente a atual reflexão sobre a prática da Agricultura
Urbana e Periurbana. A discussão sobre esse tipo de agricultura
apresenta novas perspectivas, considerando as questões sociais,
econômicas e ambientais. O interesse e as necessidades dos atores
sociais, aliados às conseqüências de políticas destinadas a apoiar
a agricultura urbana e periurbana, podem minimizar seus riscos,
maximizar os benefícios e garantir um aumento de rentabilidade,
beneficiando a população de classe pobre já envolvida, ou que venham
a se dedicar a essas atividades. As possibilidades de geração de
trabalho e renda para as classes sociais pobres recomendam uma atuação
que viabilize e potencialize a agricultura urbana, principalmente
em países com alta concentração de renda. (read this abstract in English)
1 - Introdução
Questões como a fome e
a pobreza de grande parcela da população mundial e os caminhos de
resistência e de luta pela sobrevivência, que têm sido historicamente
buscado pelas classes pobres de todo o mundo, são as raízes de um
debate bastante atual sobre o papel da agricultura urbana e periurbana
(AUP).
A produção agrícola, que
é desenvolvida em torno dos grandes centros urbanos, está voltada
geralmente para o abastecimento de produtos hortícolas, destinados
às classes sociais urbanas que podem pagar por dieta alimentar rica
e variada. Essa produção tem ganho nova dimensão, que incorpora
o avanço e as necessidades originárias de uma agricultura urbana
(AU), materializada como alternativa para populações excluídas.
Este trabalho apresenta
uma breve revisão sobre o desenvolvimento da AUP e suas implicações.
As preocupações presentes na atual discussão do tema contemplam
questões sociais, econômicas e ambientais. Com base na literatura
e em projeto-piloto que está sendo desenvolvido pela Secretaria
de Agricultura e Abastecimento (SAA) do Estado de São Paulo, chamado
de “Projeto Quintal” (2) , que inclui implantação de hortas urbanas na
Bacia do Alto Tietê (composta totalmente por municípios da Região
Metropolitana de São Paulo), procurou-se analisar as possíveis
conseqüências de políticas destinadas a apoiar a AU e AUP.
Conceitualmente, a AUP
caracteriza-se por dinâmicas sócio-econômicas e práticas agrícolas
distintas, formada tanto pela produção hortícola estruturada para
o abastecimento do mercado, que é denominado por NUGENT e EGAL (2000)
como “indústria hortícola e graneleira, sendo situada em grande
parte nas áreas periurbanas” (agricultura periurbana - AP), quanto
“pela produção de subsistência das unidades domésticas pobres presentes
nas áreas urbanas e periurbanas, onde a existência de terra e a
pobreza criam a oportunidade e a necessidade”. Essa agricultura
de subsistência, geralmente urbana (AU), por vezes é realizada em
quintais, mas também em áreas públicas ou privadas ocupadas de formas
diversas.
Estudos desenvolvidos
pela Food and Agriculture Organization (FAO), em diversos países,
têm mostrado a importância de repensar a AUP em todos os seus aspectos
de forma a minorar diferentes e numerosos problemas enfrentados
pela população dos grandes centros urbanos, especificamente as populações
carentes dos países mais pobres ou que apresentam grandes desigualdades
sociais. A AUP é entendida pela FAO (1999a) como um fenômeno de
importância crescente em quase todas as cidades, o que demanda informações
mais amplas sobre o volume e tipo de alimento produzido, custo
da produção, preço, mercados aos quais se destina, entre outros,
para que sejam otimizadas as possíveis soluções e que se viabilizem
alternativas para os problemas dela originados.
Tanto os caminhos promissores
da AUP como seus problemas exigem um trabalho de complexa interação
de fenômenos sociais, econômicos e ambientais.
Existem diversas definições
para a AUP e para a AU, que se diferenciam pela situação e mesmo
pela explicação de urbano e periurbano (limites) e pelo tipo de
atividade que enlobam (incluindo ou não a comercialização). Segundo
QUON (1999), algumas definições reconhecem a AU como provedora de
alimento para o consumo, ou venda, emprego e renda, administração
de desperdício urbano e conservação de recursos naturais.
As definições e discussões
sobre a AUP e AU, na forma como se apresenta, não são definitivas,
uma vez que os conceitos são recentes e estão sendo construídos.
Para a FAO (1999b), pode-se
entender AUP como “práticas agrícolas dentro das cidades e em torno
delas, que competem pelos recursos - terra, água, energia, mão-de-obra
- que poderiam destinar-se também a outros fins para satisfazer
as necessidades da população urbana”. A AUP refere-se, portanto,
às unidades agrícolas próximas e internas às cidades que fazem inclusive
exploração intensiva podendo ser empreendimento comercial ou semicomercial
(granjas e hortas). A mesma fonte considera que a AU refere-se às
pequenas áreas localizadas dentro da cidade que são destinadas aos
cultivos e criações de animais de pequeno porte, tanto para o consumo
quanto para a venda. Conceitualmente a AU está inserida na AUP,
mas sua localização e características mostram a necessidade de análise
diferenciada.
A AU tem se constituído
em preocupação, tendo sido estudada por diversos autores, também
nos países ricos, onde ela é entendida como potencial para contribuir
na solução de problemas específicos e para o desenvolvimento sustentável.
BARRS (1999) defende que a AU pode ter impacto positivo do ponto
de vista ecológico, econômico e social.
2
- As questões específicas e a necessidade de ações
Com o desenvolvimento
da AUP, as preocupações que se fazem presentes estão relacionadas
a questões sociais como: saúde, acesso à alimentação para as classes
sociais sem renda e de baixa renda e iniciativas de comunidades
para minorar o problema alimentar; questões econômicas como: o desemprego,
a desigualdade de distribuição de renda e a necessidade de agregação
de renda e geração ou manutenção de empregos; e as questões ambientais
relacionadas à poluição da água, do ar, perda e contaminação de
solo.
2.1- Questões Sociais
Os problemas sociais intrinsecamente
ligados aos econômicos são geralmente associados ao desenvolvimento
da AUP em países com maior grau de desigualdade social como é o
caso do Brasil. Isso se coloca porque em países como o Canadá e
mesmo nos Estados Unidos da América, os estudos sobre a AU podem
discernir com maior clareza as questões econômicas e sociais, vinculadas
a essas atividades. Nesses países a AU pode ser uma opção de sustentabilidade,
enquanto nos países pobres derivam da necessidade prática da sobrevivência
física.
Entre os riscos da AUP
para a saúde estão a contaminação: por organismos patogênicos, resultado
de uso de águas contaminadas, ou residuais não adequadamente tratadas,
ou por resíduos orgânicos sólidos; dos produtos e/ou das águas com
resíduos de agrotóxicos utilizados na AUP; por metais pesados existentes
no solo, ar ou água contaminados; e a transmissão de enfermidades
por parte dos animais domésticos durante sua criação, processamento
e consumo, que entre outros são citados por ZEEUW e LOCK (2000).
Esses fatores devem portanto ser considerados com seriedade na análise
dos aspectos positivos da AUP, relacionados à maior e qualitativamente
melhor oferta de alimentos que essa prática agrícola pode oferecer.
A segurança alimentar, representada pelo aumento
da quantidade e variedade de alimentos disponibilizados para a população
que pratica a AU, é bastante significativa, segundo a FAO, representando
geralmente melhoria de qualidade de vida dessas populações.
Entre os trabalhos publicados
pela FAO, o de NUGENT e EGAL (2000) mostra as relações e a contribuição
da AUP para a política de segurança alimentar, evidenciando a força
e a natureza dessas relações, discutindo as questões e as políticas
para essa área. Mostra que “através de vários canais e mecanismos
informais, a maior proporção de alimentos produzidos na área urbana
é na mesma área consumida”, pois o acesso a uma dieta saudável é
dificultado pela falta de alimentos frescos e pela própria pobreza
das famílias.
A preocupação com a qualidade
dos alimentos e com o elevado grau de ingestão de resíduos químicos,
que pode ocorrer também na AUP, indica a necessidade de maior controle
sobre o alimento a ser produzido e consumido. Esta situação trouxe
também ao longo dos anos a busca e valorização dos produtos orgânicos,
e tem destacado a produção da AU em diversos países ricos.
2.2 - Questões Econômicas
Trabalhos apresentados em conferências
da FAO, segundo NUGENT e EGAL (2000), mostram que a produção da
AU não concorre no mercado da produção agrícola de áreas fora delas,
uma vez que grande parte do seu produto não ingressa nos canais
formais de comercialização. A disponibilidade de alimento, mesmo
sem significar melhor nível de renda, possibilita uma vida mais
saudável, sem contar que a AU pode criar oportunidades de emprego,
pois uma produção orgânica, ainda que urbana, em pequena escala
necessita de trabalho intensivo.
As atividades na AUP resultam
também em um perfil de ocupação que mesmo quando não assalariada
é capaz de envolver um número maior ou menor de pessoas de acordo
com o que se produz e as fases dessa produção. Essa ocupação invariavelmente
gera uma renda oriunda da venda de parte da produção, além da melhoria
da qualidade alimentar da população envolvida com a AUP, segundo
Armar-Klemesu, citado por ZEEUW e LOCK (2000).
A criação de ocupação
e renda para a população pobre e a conseqüente melhoria de sua qualidade
de vida constituem a grande contribuição econômica dessa agricultura
urbana que pode ainda aumentar os recursos nas comunidades com a
agregação de renda, que pode ser obtida da venda direta para a população
moradora nos entornos da comunidade, ou por algum tipo de pré-processamento,
como a produção de compotas. Para isso, o processo educativo incluindo
a capacitação técnica é fundamental, compreendendo noções básicas
de higiene, produção, processamento, comercialização e gerenciamento.
Outra característica ressaltada
pelo documento da FAO (1999a) é que a AUP oferece oportunidade de
emprego para um segmento no qual praticamente não há obstáculo quanto
à exigência de experiência para a entrada de novos trabalhadores,
gerando renda. Os fatores que limitam o crescimento da AUP não se
referem à mão-de-obra e serão aprofundados na seqüência da análise.
É também um segmento que apresenta caráter comercial de rápida expansão.
O emprego de fatores que são pouco utilizados com fins produtivos,
como terrenos baldios, água residual tratada, material reciclado
e mão-de-obra desempregada, pode resultar em eficiência real dos
produtores, além da produção, que geralmente utiliza técnicas que
requerem poucos insumos.
A AUP representa a possibilidade
de obtenção de receita diária, o que é fundamental para a classe
pobre.
2.3 - Questões Ambientais
Para ZEEUW e LOCK (2000)
a AUP é geralmente uma atividade realizada como complemento de outra
ocupação, que pode, dependendo do manejo, resultar nos mesmos riscos
à saúde e ao meio ambiente que a agricultura rural. É necessário,
portanto, minimizar os riscos da agricultura urbana e periurbana,
com a adoção de práticas agrícolas mais seguras, e maximizar os
seus benefícios, implementando essas atividades com políticas específicas,
que permitam incremento na rentabilidade.
Responder ao desafio da
AU, quanto à sustentabilidade ecológica, requer para BARRS (1999)
melhoria da produtividade e fertilidade dos sistemas ecológicos,
manutenção da diversidade genética e biológica das espécies e redução
drástica de material e energia poluidoras consumidas no processo.
A FAO (1999a) enumera
questões relacionadas à sustentabilidade do meio ambiente urbano
para a sociedade, como as seguintes:
- Há dúvidas quanto às contribuições
da AUP à sustentabilidade ambiental urbana, para manter a qualidade
e a quantidade dos recursos naturais, que estão relacionadas aos
recursos básicos para a produção agrícola - água e solo -, que
concorrem com outras necessidades urbanas. Assim se existem os
riscos associados à produção de alimentos nas cidades, existe
a possibilidade de melhorar o ambiente urbano com uma produção
tecnicamente apropriada através da AUP.
- Há necessidade também de
considerar a agricultura como parte integrante do sistema de recursos
naturais urbanos, de forma a haver um equilíbrio entre os diversos
usos desses recursos. Um uso coordenado e apropriado dos recursos
pode resultar em melhoria no funcionamento hidrológico, através
da conservação do solo, economia nos gastos com a eliminação de
dejetos urbanos reciclados (águas residuais e dejetos sólidos),
melhoria na biodiversidade, além do aumento do valor recreativo
e estético de espaços verdes urbanos.
- O uso inadequado ou excessivo
de insumos químicos agrícolas pela AUP pode contaminar, por meio
de seus resíduos, as fontes de água implicando riscos para a saúde
e o meio ambiente. Além disso, o uso inadequado desses insumos
pode resultar também na contaminação dos alimentos produzidos
e de quem os consumir. Esses riscos são característicos de toda
a atividade agrícola inadequadamente conduzida.
- A água residual deve ser
reciclada e tratada para se tornar a fonte mais viável desse recurso
para a AUP. A FAO tem fomentado o uso seguro de águas residuais
urbanas recicladas para produção hortícola. Através desse tipo
de trabalho, estimou-se que, após o tratamento adequado de águas
residuais domésticas, com objetivo de reutilização para agricultura,
a água resultante é capaz de fornecer todo o nitrogênio e grande
parte do fósforo e potássio necessários à produção agrícola. Verifica-se
portanto que só existem efeitos prejudiciais à saúde, representando
um grave problema, quando águas residuais brutas, ou insuficientemente
tratadas, são utilizadas.
- Essa questão é importante
para países onde a AUP tem sido sistematicamente implantada sob
esse modelo, pois mesmo os efeitos negativos acumulados de pequenos
sistemas de produção exigem bastante atenção, necessitando de
estrutura de gestão e vigilância da qualidade de água, e mesmo
um programa de seleção de cultivos adequados à AUP.
- Deve-se considerar, ainda,
as questões ligadas à competição pelo uso da terra urbana para
fins agrícolas, que se tratará logo adiante, e a não disponibilidade
de crédito para agricultores urbanos, agravado pelo fato de que
em poucos lugares está disponível para produtores pobres.
3 - Considerações
sobre as possíveis conseqüências de políticas destinadas a apoiar a
AU e a AUP
A questão da disponibilidade
de terra no espaço urbano e periurbano para uso agrícola está intimamente
ligada à rápida evolução dos usos e valores desse espaço, o que
influi sobre a AUP. E isso porque a elevada densidade populacional
entra em conflito e compete não só pela terra, mas também pelos
recursos naturais; assim, a agricultura só poderá se intensificar
nos poucos espaços disponíveis para o cultivo.
Para a AU é impossível
arcar com o custo da terra. Quando áreas não podem ser cedidas gratuitamente,
ou utilizadas através de acordos específicos, a AU não consegue
se estabelecer. A prática da AU ocorre muitas vezes em áreas inseguras,
inclusive em espaços ocupados ilegalmente, arrendados a curto prazo
e outras formas sujeitas a regimes precários. Conforme mostra a
literatura pesquisada, quando essas formas, ou acordos, são possíveis,
sua estrutura invariavelmente se mantém, pois a AU pode se ocupar
de espaços que vão se alternando ao longo do tempo, mantendo-se
entretanto os grupos de pessoas que a conduzem.
É especialmente interessante,
para visualizar as possíveis alternativas de espaço para o desenvolvimento
da AU na malha urbana, observar os dados disponíveis em FAO (1999a).
Em Nairobi, por exemplo, das terras destinadas ao cultivo urbano
32% eram terrenos residenciais privados, 29% estavam às margens
das vias de transporte, 16% às margens dos rios e 16% em zonas de
propriedade pública.
BARRS (1999) indica os
locais e as formas de desenvolvimento da AU no município de Vancouver:
quintais, comunidades de produtores urbanos (terrenos públicos),
produção em telhados (lajes), jardins verticais, cultivo de pomar
nas ruas e cultivo dentro de edifícios.
Para que a AU possa ser
considerada como opção de geração de ocupação e renda, é necessário
que haja espaço disponível para o cultivo, o que requer um entendimento
e postura política adequada frente à importância dessa atividade,
criando um ambiente para discussão de políticas que possam ampliar
a agricultura urbana. Além disso, a reciclagem de lixo orgânico
precisa ser incentivada nas comunidades por meio de treinamento,
propiciando um acréscimo de nutrientes para a produção da AUP.
É necessário, portanto,
criar estruturas que viabilizem o trabalho de extensão rural direcionada
a responder as demandas específicas da AUP, disponibilizando técnicas
e conhecimentos que garantam a segurança e a qualidade dos alimentos
produzidos, e que possam ainda resultar em melhoria da fertilidade
do solo e longevidade do ecossistema urbano.
A educação da população
local sobre a viabilidade e as vantagens da produção de seus próprios
alimentos pode não só apoiar a AUP, mas estimular as pessoas a um
consumo mais saudável.
Por meio da concessão
de crédito, pode-se estimular a agricultura urbana e a periurbana,
incentivando assim a geração de trabalho e renda associados à produção
de alimentos. Em países ricos, a concessão de crédito, segundo BARRS
(1999), pode se dar à medida que as instituições financiadoras vão
reconhecendo as possibilidades de retorno financeiro envolvido.
Para países em desenvolvimento, esse autor propõe o estabelecimento
de microcrédito para cidadãos de baixa renda envolvidos com a AU.
Em decorrência da complexidade
dos fenômenos que englobam o desenvolvimento da AUP e a dinâmica
do ambiente urbano no qual ela se organiza, é fundamental que sejam
minorados os riscos que ela pode representar para a saúde e o ambiente.
Por isso deve-se destacar seus benefícios e construir uma normatização
de procedimentos visando a qualidade de vida urbana com a
AUP. Isso dependerá entretanto das prioridades e do interesse político
em relação a essas decisões.
A implantação de áreas-piloto
do “Projeto Quintal” tem mostrado que as dificuldades levantadas
são reais, mesmo sendo ainda bastante recentes para uma avaliação
ampla de seus resultados. Seus indicadores estão sendo construídos
e apontam para resultados que envolvem desde a retenção de solo
(melhorando a qualidade de vida da população vizinha de uma horta,
onde não há mais fortes enxurradas carregada de lama) até a melhoria
da qualidade de vida da população (3) que está envolvida no projeto.
4
- Considerações gerais
As novas perspectivas
criadas pela concepção das AUP requerem a compreensão do caráter
dinâmico do espaço urbano e das formas de organização dos cidadãos
e do seu envolvimento no processo, para que se possam definir formas
de intervenção possíveis.
As condições necessárias
para uma intervenção do Estado na AUP a favor da segurança alimentar
compreenderiam: facilitar para as populações o acesso aos recursos
(terra e água inclusive), além de medidas que viabilizassem sua
existência, como realização de cursos junto às comunidades, extensão
rural voltada à AUP e linha de microcrédito específica. Essas medidas
contribuiriam para manter uma produção estável nessas áreas, além
de garantir a participação da população afetada pela insegurança
alimentar.
A produção agrícola urbana
requer portanto espaços adequados e tratamento especial, sendo necessário
identificar aqueles não utilizáveis para outros fins, ou que possam
ser temporariamente utilizados pela AU. A diversidade de espaços
disponíveis e sua ocorrência dispersa na malha urbana poderão maximizar
o potencial da AU, trazendo benefícios a toda a cidade.
É fundamental, portanto,
o estabeleci-mento de uma política que considere a importância e
o potencial da AUP para contribuir na solução de problemas sociais,
econômicos e ambientais.
Notas
- Ana Victória Monteiro
é geógrafa, mestre e pesquisadora científica do Instituto
de Economia Agrícola.
- Este
projeto está sendo realizado em parceria com a Secretaria de Emprego
e Relações de Trabalho do Estado de São Paulo.
- A
população envolvida no projeto recebe treinamento adequado em gestão
para o subprojeto do qual participa.
Referências
- BARRS, R. Sustainable urban
food production in the city of Vancouver: an analytical and strategy
framework for planners and decision-makers. Vancouver, Canada: City
Farmer Canada’s Office of Urban Agriculture, 1999. Disponível em:
<http://www.cityfarmer.org/barrsUAvanc.html>. Acesso em: 4
fev. 1999.
- FAO. Comitê de Agricultura.
La agricultura urbana y periurbana. In: Documento do Tema 9 del
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- Questiones de la agricultura
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- NUGENT, R.; EGAL, F. La agricultura
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In: Documento de discusión para la Conferência Electrónica de FAO-ETC/RUAF
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- QUON, S. Planning for urban
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[S.l.]: IDRC, 1999. 6 p. (CFP Report Series, 28). Disponível em:
<http://www.idrc.ca/cfp/rep28_e.html>.
- ZEEUW, H..; LOCK, K. La agricultura
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la Agricultura Urbana y Peri-urbana, 21 ago.-20 set. 2000. Disponível
em: <http://www.fao.org/urbanag>.
Urban
and periurban agriculture
Food security and labor and income generation
ABSTRACT: This
paper presents current reflection on urban and periurban agriculture
practice. The discussion on this type of agriculture brings
new insights by taking into consideration social, economic and environmental
issues. Allied to the consequences of policies designed to support
urban and periurban agriculture, the needs and interests of the
social actors can minimize risks, maximize benefits and guarantee
an increase in profitability increase for the poor class population
already involved and for that who will become devoted to these activities.
Labour and income generation possibilities for the poor social classes
point to the contribution of measures that not only make urban agriculture
viable but also potentialize it, mainly in countries with high income
concentration.
Key-words: urban and peri-urban
agriculture, food security, labour, income generation.
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