Políticas
Públicas e suas Intervenções no nível municipal
em Agricultura Urbana na cidade de Teresina, Piauí, Brasil
Estudo de caso: Hortas comunitárias
Prefeitura Municipal de Teresina
Teresina(PI), abril de 2000, Brasil
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cedilhas e com as tabelas desmontadas.. Para facilitar o seu acesso
por todos, transformei-o para o formato .html, e estou incluindo as
letras acentuadas e os cedilhas, e reestruturando as tabelas. O texto
está corrigido até o item 3.6.3, em 20/04/05.
1.
APRESENTAÇÃO
A Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento — SEMAB
foi criada em 1986 pela Lei No 1839/86, de 26/01/86 com o
objetivo de dar apoio à produção agrícola
do Município de Teresina, enfrentando os problemas de abastecimento
da cidade, diante dos alarmantes índices de importação
de frutas e verduras.
O seu principal marco foi a criação e implantação
do Programa de Hortas Comunitárias que tem como objetivos básicos
o aumento na produção de hortaliças, a geração
de emprego e renda e a melhoria alimentar das famílias beneficiadas.
As hortas são implantadas em áreas urbanas, identificadas
como grandes bolsões de pobreza, desde que apresentem viabilidade
técnica e atinjam objetivos sociais, pois as famílias
beneficiadas são caracterizadas pela carência de trabalho/emprego
e são basicamente de origem rural, geralmente do interior dos
estados do Piauí, Maranhão, Ceará, Pará
e Tocantins, uma vez que migraram em busca de melhores condições
de vida, acarretando, para Teresina, sérios problemas de ordem
econômica e social.
As hortas comunitárias implantadas sob uma concepção
de co-gestão (Prefeitura + Comunidade) e com o aproveitamento
de áreas consideradas improdutivas já completou mais de
uma década e vem mantendo-se efervescente, beneficiando 2.503
famílias em 116,8 hectares, com 38 hortas implantadas, e com
uma demanda crescente, principalmente na zona de expansão do
perímetro urbano onde se concentram famílias de baixa
renda.
No ano de 1996, o Programa de Hortas Comunitárias foi agraciado
pela Fundação Ford e Fundação Getúlio
Vargas, no programa Gestão Pública e Cidadania, como uma
das cem melhores gestões públicas do Brasil.
O Censo de Vilas e Favelas de Teresina, realizado pela PMT em 1996,
revela que existem no município 149 vilas/favelas, abrigando
25.725 famílias, com população de 95.227 habitantes,
representando 15,51% da população do município.
A pesquisa revela que os baixos níveis de renda familiar apresentados
(66,05 % das famílias do universo pesquisado concentram-se em
faixas de renda de zero a dois salários mínimos) expressam-se
como reflexo da situação econômica do país,
em que a falta de emprego e os baixos salários, dentre outros
fatores, levam extensas camadas da população a buscarem
alternativas de sobrevivência.
A implantação de hortas comunitárias acarreta a
possibilidade de trabalho não só para o homem, como também
para sua família, permitindo com isso a união e a agregação
da família em torno da produção e comercialização
de hortaliças, obtendo com isso uma renda mensal de um a dois
salários mínimos.
Teresina atualmente, segundo informações da CEASA-PI,
importa cerca de 92% das hortaliças e frutas de outras regiões
do país, a maior parte oriunda da Serra do Ibiapaba, no Estado
do Ceará, e de municípios produtores dos Estados de São
Paulo, Pernambuco, Bahia e Maranhão, o que acarreta uma evasão
muito grande de divisas, dificultando com isso o seu crescimento econômico.
O investimento financeiro neste tipo de atividade é considerado
baixo em virtude do retorno, porém tem se apresentado viável
e eficaz para a população envolvida no processo.
Este Estudo de Caso retrata como esse programa vem sendo implantado,
a forma de execução e os impactos decorrentes
de sua implementação. São discutidas ainda sua
sustentabilidade e sua capacidade de ser transferido para outros ambientes
urbanos.
2.
CONTEXTO REFERENCIAL
2.1 Aspectos Geográficos
O Estado do Piauí, um dos mais pobres estados do Brasil, está
localizado na parte oeste do nordeste brasileiro, com uma área
de 252.358 Km 2, representando 2,95% do total do território nacional.
A cidade de Teresina, capital do Estado do Piauí, está
situada na porção norte do estado (Figura 1), na confluência
do rio Poti com o rio Parnaíba, cujas coordenadas geogr ficas
são: 05… 05 12 S / 042… 48 42 W e altitude média
de 72 metros. O município de Teresina, possui uma área
de 1.809,00 km2, dos quais 228,31 km2 são ocupados pela capital
(zona urbana), o que corresponde a 12,6 % da superfície municipal.
Figura 1 - Localização do município de Teresina
em relação ao Estado do Piauí e ao Brasil.
a incluir
2.2
Aspectos Ambientais
2.2.1 Clima
De acordo com a classificação climática de Küppen,
o clima de Teresina é do tipo Aw , ou seja, clima tropical e
chuvoso.
- Precipitação pluviométrica - O período
chuvoso para o município de Teresina, inicia-se no mês
de janeiro e prolonga-se até o mês de maio, tendo como
seu trimestre mais chuvoso os meses de fevereiro/março/abril
e, embora com totais anuais médios relativamente altos (1.361,3
mm), estes valores ficam prejudicados por causa de sua distribuição
temporal concentrada e irregular (Tabela 1).
Tabela 1 — Precipitação Pluviométrica
Média (em mm) na cidade de Teresina-PI
| Precipitação
anual |
Jan |
Fev |
Mar |
Abr |
Mai |
Jun |
Jul |
Ago |
Set |
Out |
Nov |
Dez |
1.361,3 |
188,9 |
252,8 |
327,7 |
263,6 |
102,3 |
17,7 |
6,6 |
10,5 |
13,6 |
30,4 |
51,1 |
96,1 |
FONTE: GOVERNO
DO ESTADO DO PIAUÍ / SECRETARIA DE AGRICULTURA, ABASTECIMENTO
E RECURSOS HÍDRICOS / DEPARTAMENTO DE HIDROMETEOROLOGIA - DHME.
- Temperatura - O ar atmosférico apresenta temperatura média
anual de 26,8ºC.
A amplitude média anual é bastante pequena, o que leva
à suposição de que o clima é ameno, no entanto
uma análise das temperaturas extremas observadas, mostra que
as mesmas podem atingir valores que causam certo desconforto (36,7ºC).
Não é comum se observarem temperaturas inferiores a 20ºC
na cidade de Teresina (Tabela 2).
Tabela 2 — Temperaturas médias (em ºC) na
cidade de Teresina-PI.
| Meses |
Jan |
Fev |
Mar |
Abr |
Mai |
Jun |
Jul |
Ago |
Set |
Out |
Nov |
Dez |
| Mínima |
22,3 |
22,6 |
22,5 |
22,7 |
22,2 |
21,0 |
20,1 |
20,5 |
21,6 |
22,6 |
22,9 |
23,0 |
| Máxima |
32,2 |
31,8 |
31,6 |
31,8 |
32,3 |
32,5 |
33,5 |
35,2 |
36,5 |
36,7 |
36,0 |
34,8 |
FONTE: GOVERNO
DO ESTADO DO PIAUŒ / SECRETARIA DE AGRICULTURA, ABASTECIMENTO E
RECURSOS HŒDRICOS / DEPARTAMENTO DE HIDROMETEOROLOGIA - DHME.
- Umidade relativa — A umidade do ar média em Teresina
de 70%. Os meses mais úmidos são fevereiro, março
e abril, com uma umidade média de 81%, coincidindo com o trimestre
mais chuvoso. O mês de setembro é o mais seco do ano com
valores médios iguais a 55%.
2.2.2 Solos
Entre as unidades de solo predominantes no município, destacam-se
o Latossolo Vermelho-Amarelo e o Podzólico Vermelho-Amarelo,
ambos de textura média. O primeiro ocorre com maior freqüência
nos trechos planos do município, apresentando-se profundos, bem
desenvolvidos, de boa drenagem, com baixa fertilidade natural e acidez
elevada. O segundo ocorre em áreas de relevo mais movimentado,
apresentando-se mais rasos, com fertilidade natural muito baixa, fortemente
ácidos e apresentam alumínio tóxico. Outras unidades
de solo de menor expressão podem ser encontradas como os solos
litílicos (pedregosos), areias quartzosas e solos aluviais.
2.2.3 Recursos hídricos
Teresina possui posição privilegiada em relação
à disponibilidade de recursos hídricos, pois está
situada às margens dos rios Parnaíba e Poti, ambos perenes,
e percorrem respectivamente, 90 Km e 59 Km no município. Devido
à existência de depressões naturais nas áreas
marginais do rio Parnaíba, ocorre a formação de
lagoas que permanecem alimentadas durante o ano todo. Os mananciais
hídricos subterrâneos apresentam-se com boas condições
de aproveitamento, com águas de boa potabilidade.
Apesar da abundância dos recursos hídricos de superfície
as águas dos rios Parnaíba e Poti não se prestam
para o uso na irrigação de hortaliças folhosas
ou outras culturas de consumo in natura (água de Classe
3), de acordo com resolução do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Resolução nº 20/86). Este fato levou a
Prefeitura de Teresina a optar pela perfuração de poços
tubulares para a utilização como fonte d'água na
irrigação das hortas comunitárias, visando garantir
a qualidade dos produtos oriundos desta atividade.
2.3 População e aspectos
socioeconômicos
Segundo dados de 1996, a população do município
de Teresina de 653.926 habitantes, distribuídos numa área
de 1.809,00 km2, resultando numa densidade demográfica de 361,48
habitantes/km2 (Tabela 3). Na Zona Urbana esta densidade elevada para
2.688,42 habitantes/km2.
Tabela 3 - População por unidade federativa,
área e densidade demográfica
| Unidade Federativa |
População
urbana |
População
rural |
População
total |
Área |
Densidade demográfica |
| Brasil |
123.076.831
|
33.993.332 |
157.070.163 |
8.547.403,5 |
18,38 |
| Região
Nordeste |
29.191.749 |
15.575.102 |
29.191.749 |
1.558.200,4 |
18,73 |
| Estado do Piauí |
1.612.476 |
1.056.361 |
1.612.476 |
252.378,6 |
6,39 |
| Município
de Teresina |
613.767 |
40.159 |
653.926 |
1.809,0 |
361,48 |
| Cidade de Teresina |
613.767 |
- |
613.767 |
228,3 |
2.688,42 |
FONTE: IBGE (1996)
Do total do contingente que habita a zona urbana (613.767 habitantes),
15,51% habita em vilas e favelas, segundo levantamento realizado pela
Prefeitura Municipal de Teresina. Isso corresponde a uma população
de 95.227 habitantes.
Considerando que as vilas e favelas concentram a população
mais carente, estes números podem representar a população
que enfrenta condições de pobreza mais acentuada. Nesse
ano foram identificadas nas vilas e favelas 33.537 pessoas desempregadas
e 28.290 desenvolvendo atividade econômica, o que caracteriza
um desemprego de 54% da população em idade ativa. Essas
pessoas sobrevivem de atividades informais ou são sustentadas
por um dos membros das famílias. Das pessoas que possuem ocupação,
838 estão ligadas às atividades do setor primário;
7.391 s atividades do setor secundário; e 20.061 s atividades
do setor terciário.
Este levantamento foi realizado de acordo com as zonas administrativas
da cidade, como mostrado na Tabela 4.
Tabela 4 - Distribuição da população
de Teresina por Região Administrativa, Bairros, Vilas e Favelas
Região
Administrativa |
Nº
de
bairros |
Área
(km2) |
População |
Densidade
populacional |
População
em
vilas e favelas |
%
da
população total |
| Nº |
% |
| Norte |
23 |
36,16 |
139.941 |
22,80 |
3.870,05 |
22.695 |
16,22 |
| Sul |
20 |
40,58 |
117.595 |
19,16 |
2.897,86 |
25.651 |
21,81 |
| Leste |
27 |
61,59 |
116.132 |
18,92 |
1.885,57 |
25.976 |
22,37 |
| Sudeste |
20 |
70,68 |
105.687 |
17,22 |
1.495,29 |
16.302 |
15,42 |
| Centro |
23 |
19,29 |
134.412 |
21,90 |
6.967,96 |
4.603 |
3,42 |
| Total |
113 |
228,30 |
613.767 |
100,00 |
2.688,42 |
95.227 |
15,52 |
FONTE: CONTAGEM
DA POPULAÇÃO, 1996 - IBGE
CENSO DE VILAS E FAVELAS, 1996 - SEMPLAN
Em 1996 foram identificadas 149 vilas e favelas na cidade de Teresina,
com 25.725 famílias. Estas famílias possuem renda muito
baixa, sendo a maioria (66,05%) enquadrada na faixa de renda inferior
a 2 (dois) salários mínimos (R$ 272,00), como mostra a
Tabela 5.
Tabela 5 - Níveis de renda das famílias
que habitam as vilas e favelas de Teresina - 1986.
| Renda familiar
(salários mínimos) |
Número
de famílias |
Participação
no total (%) |
| Até
1/2 SM |
734 |
2,85 |
| De 1/2 a
1 SM |
8.338 |
32,41 |
| De 1 a 2
SM |
7.922 |
30,79 |
| De 2 a 3
SM |
3.158 |
12,28 |
| Mais de 3
SM |
1.435 |
5,58 |
| SUB TOTAL |
21.587 |
83,91 |
| Sem informação |
4.138 |
16,09 |
| TOTAL |
25.725 |
100,00 |
FONTE: Teresina
em Dados - 1999.
Entre os anos de 1991 e de 1996 houve um crescimento no n mero de vilas
e favelas da capital de 166,07%, conforme Tabela 6.
Tabela 6.
Expansão de vilas e favelas em Teresina (período de 1991
a 1996)
| Região
Administrativa |
Quantidade |
%
Crescimento |
1991 |
1993 |
1996 |
91
/ 93 |
93
/ 96 |
91
/ 96 |
| Leste |
14 |
51 |
48 |
264,29 |
-5,88 |
242,86 |
| Sudeste |
6 |
28 |
28 |
366,67 |
0,00 |
366,67 |
| Sul |
18 |
39 |
48 |
116,67 |
23,08 |
166,67 |
| Norte |
15 |
17 |
20 |
13,33 |
17,65 |
33,33 |
| Centro |
3 |
6 |
5 |
100,00 |
-16,67 |
66,67 |
| Total |
56 |
141 |
149 |
151,79 |
5,67 |
166,07 |
Fonte: Teresina
em Dados, 1999.
3. DESCRIÇÃO DA POLÍTICA
DE AGRICULTURA URBANA
3.1 Evolução temporal
Dada a localização da cidade de Teresina entre dois rios
perenes, e as características culturais de grande parte de seus
habitantes, que têm sua origem no meio rural, sempre existiram
pequenas explorações agrícolas aproveitando os
espaços vazios da zona urbana e ao longo das margens dos rios,
utilizando as áreas úmidas ou através de sistemas
simplificados de irrigação.
A produção de produtos hortícolas na região
de Teresina não atende ao seu grande consumo. Fato que é
responsável pela intensa importação de tais produtos
de outras regiões e comercializados no mercado teresinense.
Por volta do ano de 1986, a Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) viu-se
no intuito de atenuar a situação de crianças carentes
da periferia da cidade e proporcionar uma atividade que permitisse a
sua profissionalização. Esta realidade levou à
idealização de um programa de implantação
de hortas com a finalidade de formação e terapia ocupacional
dessas crianças, de forma complementar ao período letivo,
sendo extensiva à participação de seus familiares.
Para a implantação desta idéia, a Prefeitura Municipal
contou com o apoio de Organizações não Governamentais
(ONGs), Fundação Nacional para o Bem-estar do Menor -
FUNABEM e Serviço Social do Estado do Piauí — SERSE.
No ano de 1987 foram implantadas 4 (quatro) hortas em bairros (Itararé,
Renascença e Promorar) e vilas (São Francisco Norte) da
cidade aproveitando áreas institucionais da PMT e, principalmente,
faixas de servidão de redes de energia elétrica de alta
tensão da CHESF/CEPISA.
Com o sucesso inicial, esta idéia evolui, e seu público-alvo
foi sendo alterado, pois foram sendo desenvolvidos novos programas voltados
às crianças e concentraram-se os objetivos na geração
de emprego e renda para as famílias, tendo em vista as características
da população e o grande aumento no número de vilas
e favelas instaladas na periferia da cidade.
Dessa forma concentrou-se nessa atividade, além da geração
de renda, outros objetivos, tais como:
- Melhoria da
qualidade da alimentação das famílias envolvidas;
- Ocupação
de mão-de-obra ociosa (geração de emprego);
- Aproveitamento
de áreas baldias sujeitas ao acúmulo de lixo e para
refúgio de marginais e viciados em drogas, como as faixas de
servidão das linhas de transmissão de energia elétrica
e áreas institucionais;
- Produção
de bens de consumo (hortaliças) de grande demanda no meio urbano,
minimizando a dependência de outros centros produtores de hortaliças.
Atualmente a Prefeitura
Municipal de Teresina, com base nesses objetivos, inseriu o programa
de Hortas Comunitárias em um projeto mais abrangente, multisetorial
e integral, que tem como objetivo global melhorar nas condições
de vida dos moradores das vilas e favelas de Teresina. O subprojeto
Hortas Comunitárias, financiado com recursos do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apresenta como
metas para o período 1998 — 2001 a implantação
de 92 ha, beneficiando diretamente 2.300 famílias. Os recursos
necessários e disponíveis para o alcance das metas totalizam
R$ 1.748.000,00.
O Projeto Vila-Bairro foi iniciado pela Prefeitura Municipal de Teresina
em 1997 para promover, com a participação das comunidades,
o resgate social da população residente nas áreas
de extrema pobreza da periferia da cidade.
A integralidade e a multissetorialidade constituem o fator inovador
deste projeto que vem implantando, em 149 vilas e favelas de Teresina,
um padrão apropriado de urbanização, melhoria de
condições de vida, inclusive através de geração
de emprego e renda.
São 20 frentes de ação a serem desenvolvidas: pavimentação,
abastecimento d'água, energia elétrica, regularização
fundiária, melhoria habitacional, unidade sanitária popular,
creche, unidade de saúde, escola, praça, campo de futebol,
centro comunitário de treinamento e produção, lavanderias
comunitárias, quintais urbanos de produção, quadra
poliesportiva, atenção integral à criança
e ao adolescente, distribuição de filtros, arborização,
educação ambiental e hortas comunitárias.
O Projeto é coordenado pela Secretaria Municipal de Planejamento
e Coordenação Geral — SEMPLAN, à qual é
subordinada a Unidade Técnica Central do Projeto Vila-Bairro,
responsável pelo planejamento, administração, supervisão
e acompanhamento das ações que são executadas pelos
seguintes órgãos municipais: ETURB, SEMHUR, DMER, SEMCAD,
SEMEC, SEMEL, SEMAM, SEMTAS, Fundação Municipal de Saúde,
SEMAB e Fundação Wall Ferraz. Conta também com
a parceria da CEPISA e AGESPISA.
Hoje o Projeto Multissetorial Integrado Vila-Bairro é referência
nacional, sendo conhecido como um dos melhores projetos do Brasil no
Programa CAIXA Melhores Práticas e premiado por duas vezes consecutivas
como semifinalista no concurso Gestão Pública e Cidadania
realizado pela Fundação Getúlio Vargas em parceria
com a Fundação Ford.
O suporte do projeto, tendo em vista a eficácia das ações,
é, sem dúvida, o trabalho social que o fundamenta. A experiência
que a Prefeitura de Teresina vem acumulando nos últimos anos
junto às populações de baixa renda, sobretudo na
periferia da cidade, garantiu a montagem de um projeto de execução
co-responsável.
Os recursos para execução do projeto Vila-Bairro são
provenientes do Banco do Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social — BNDES, Caixa Econômica Federal — CEF e
Prefeitura Municipal de Teresina, que entra com 10% dos valores repassados
pelos agentes financiadores.
3.2 Características do sistema
de produção
As ações desenvolvidas em Agricultura Urbana em Teresina
concentram-se na exploração de hortas comunitárias,
que são fonte de sustento para famílias carentes, distribuídas
principalmente na periferia da cidade. Estas ações são
desenvolvidas pela Prefeitura Municipal de Teresina (PMT), através
da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SEMAB), em 38
hortas comunitárias, que têm como objetivos: combater os
altos preços das hortaliças; reduzir a importação
dos produtos olerícolas no município; gerar emprego e
renda; além de melhorar o padrão alimentar das famílias
atendidas. Desta forma o projeto funciona atendendo 2.503 famílias
de baixa renda, com 116,8 ha de área explorada, conforme mostra
a Tabela 7. Esta idéia vem se consolidando nas administrações
municipais mais recentes, onde se observa a maior concentração
de área e número de lotes implantados (Tabela 8).
Tabela 7 - Perfil de abrangência do Programa Hortas Comunitárias
em Teresina - PI e seus principais colaboradores, 1999.
| Denominação
da horta |
Origem dos
recursos para implantação |
Ano de Implantação |
Área
(ha) |
Nº de
lotes |
Proprietário
da área |
| Itararé |
PMT/FUNABEM |
1987 |
9,2 |
35 |
CHESF/CEPISA |
| Renascença |
PMT/FUNABEM
|
3,2 |
48 |
CHESF/CEPISA |
| São
Francisco Norte1 |
PMT |
1,0 |
20 |
PMT |
| Promorar |
PMT |
2,0 |
41 |
PMT |
| São
Francisco Sul |
PMT |
1988 |
1,0 |
18 |
PMT |
| Santa
Maria da Codipi |
PMT/FUNABEM |
4,0 |
50 |
SERSE |
| Vila
Nova I |
PMT/FUNABEM |
1989 |
4,0 |
40 |
PMT |
| Santa
Luzia |
PMT |
1993 |
3,0 |
40 |
CHESF/CEPISA |
| Dique |
PMT |
1994 |
4,0 |
40 |
PU |
| Parque
Ideal |
PMT |
8,0 |
126 |
CHESF/CEPISA |
| Risoleta
Neves |
PMT/LBA |
1,0 |
36 |
PU |
| Vila
Nova II |
PMT/FBB/MBEB |
1995 |
6,3 |
144 |
PMT |
| Beira
Rio |
PMT |
8,0 |
182 |
PU |
| Monte
Horebe |
PMT |
1996 |
3,0 |
76 |
CHESF/CEPISA |
| Mafrense(1)
|
FUNABEM |
1,5 |
38 |
SERSE |
| Wall
Ferraz |
PMT/PAPP |
8,0 |
198 |
PMT |
| Piçarreira |
PMT |
1997 |
2,0 |
45 |
FUFPI |
| Tabuleta |
PMT |
5,5 |
126 |
CHESF/CEPISA |
| Geovane
Prado |
PMT |
1998 |
2,0 |
60 |
PMT |
| Monte
Verde |
PMT |
6,0 |
140 |
PMT |
| Vila
Alto da Ressurreição |
PMT/BNDES |
1999 |
0,9 |
30 |
PMT |
| Vila
Apol nia |
2,0 |
55 |
PU |
| Vila
Bel Terra |
1,4 |
35 |
CHESF/CEPISA |
| Vila
Carlos Feitosa |
3,0 |
68 |
PU |
| Vila
da Glória I |
1,9 |
51 |
PMT |
| Vila
da Glória II |
1,8 |
48 |
PMT |
| Vila
do Avião |
1,3 |
40 |
PMT |
| Vila
Sinhá Borges |
2,0 |
60 |
EMBRAPA |
| Vila
Ferroviária |
1,8 |
39 |
CHESF/CEPISA |
| Vila
Fraternidade |
2,0 |
53 |
FUFPI |
| Vila
Irmã Dulce |
3,8 |
90 |
PMT |
| Vila
Nossa Senhora da Guia |
1,5 |
38 |
PMT |
| Vila
Nossa Senhora do Rosário |
0,7 |
24 |
CHESF/CEPISA |
| Vila
Nova III |
1,8 |
50 |
PMT |
| Vila
Paris |
2,4 |
68 |
CHESF/CEPISA |
| Vila
Parque São João |
2,4 |
59 |
CHESF/CEPISA |
| Vila
Planalto Santa Fé |
2,6
|
66 |
PMT |
| Vila
Poti |
0,8 |
26 |
PMT |
| TOTAL |
116,8 |
2.503 |
|
(1) Horta Incorporada
pela PMT em 1996.
Número total
de hortas: 38 Hortas.
Número médio de lotes por hectare = 21,43.
Área média do lote = 466,64m_.
Total de hortas implantadas sob os fios de alta tensão da CHESF/CEPISA
= 40,6 ha , sendo 22,8 ha contínuos (Itararé, Parque Ideal
Renascença, e Vila Paris)
Abreviaturas:
LBA = Legião Brasileira de Assistência — Governo
Federal
BNDES-Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, agente
financiador do Projeto Vila-Bairro, que atua na geração
de
emprego e renda.
MBEB = Missão Batista Equatorial do Brasil
CEPISA = Companhia Energética do Piauí S.A.
PAPP = Programa de Apoio ao Pequeno Produtor Rural do Nordeste
CHESF = Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco
PMT = Prefeitura Municipal de Teresina
EMBRAPA = Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária —
Governo Federal
PU = Patrimônio da União — Governo Federal
FBB = Fundação Banco do Brasil
SERSE = Serviço Social do Estado — Governo do Estado do
Piauí
FUFPI = Fundação Universidade Federal do Piauí
FUNABEM = Fundação Nacional para o Bem Estar do Menor
— Governo Federal
Tabela 8 — Ritmo de implantação das hortas comunitárias,
de acordo com os períodos administrativos municipais (1985 —
2000*)
| Período
administrativo |
Ano |
Hectares
implantados |
Lotes
implantados |
| No ano |
No período |
Total acumulado |
No ano |
No período |
Total acumulado |
I |
1985
1986
1987
1988 |
-
-
15,4
5,0 |
-
-
-
20,4 |
-
-
15,4
20,4 |
-
-
244
68 |
-
-
-
312 |
-
-
244
312 |
II |
1989
1990
1991
1992 |
4,0
-
-
- |
-
-
-
4,0 |
24,4
24,4
24,4
24,4 |
40
-
-
- |
-
-
-
40 |
352
352
352
352 |
III |
1993
1994
1995
1996 |
3,0
13,0
14,3
12,5 |
-
-
-
42,8 |
27,4
40,4
54,7
67,2 |
40
202
326
312 |
-
-
-
880 |
392
594
920
1.232 |
IV |
1997
1998
1999
2000 |
7,5
8,0
34,1
- |
-
-
-
49,6 |
74,7
82,7
116,8
116,8 |
171
200
900
- |
-
-
-
1.271 |
1.403
1.603
2.503
2.503 |
*Atualizado em abril
de 2000
Número médio de lotes por hectare = 21,43
Área média do lote = 466,64m2.
A produção de hortaliças é feita de forma
intensiva, sendo a horta conduzida por várias famílias
que exploram seus lotes de forma individual. Como característico
deste tipo de produção, cultivam-se poucas espécies
com uma tecnologia apropriada, visando produtividade e produtos de melhor
qualidade biológica. A produção de hortaliças
está concentrada basicamente em três culturas folhosas:
cebolinha (Allium schoenoprasum), coentro (Coriandum sativum)
e alface (Lactuca sativa). Os fatores que condicionam a exploração
destas culturas são: a) o tamanho do lote, visto que estas culturas
permitem uma maior densidade; b) ciclo mais curto, possibilitando um
retorno mais rápido; e c) culturas que apresentam maior difusão
e uso pela população, pois elas fazem parte do hábito
alimentar dos teresinenses, o que facilita a comercialização.
Algumas outras culturas são também exploradas em menor
escala: o quiabo (Hibiscus esculentus), a beringela (Solanum
melogema), couve (Brassica oleracea), pimenta (Capsicum
spp) e algumas plantas medicinais (erva cidreira — Melissa
officinalis; capim santo — Cymbopogon citrarus;
boldo — Coleus sp.; malva do reino — Malva
sylvestris; babosa — Aloes humilis; confrei —
Symphytum officinale; e hortelã — Mentha piperita).
As hortas implantadas funcionam de maneira quase semi-autônoma,
ou seja, as famílias administram seus respectivos lotes com as
suas produções, tendo a interferência do poder público
na assistência técnica, acompanhamento, e na manutenção
dos equipamentos do poço tubular, cerca de proteção,
consumo de energia elétrica e transporte de esterco. Estes custos
são variáveis e dependem dos tipos de problemas que aparecem.
Para o ano de 1998, encontra-se um custo médio de R$ 114,82 por
hectare, excluídos os custos com os salários de técnicos,
estagiários e pessoal de apoio colocados à disposição
do Programa pela SEMAB, conforme Tabela 9.
Tabela 9 — Custos de manutenção
das hortas comunitárias no ano de 1998*.
| Especificação |
Total |
Anual |
Mensal |
| R$/ha |
% |
R$/ha |
R$/Lote |
R$/ha |
R$/Lote |
| Energia |
31.196,46 |
30,31 |
417,62 |
22,25 |
34,80 |
1,85 |
| Transporte
de Esterco (1) |
26.784,00 |
26,02 |
358,55 |
19,09 |
29,88 |
1,59 |
| Eventuais (2) |
44.946,98 |
43,67 |
601,70 |
32,04 |
50,14 |
2,67 |
| TOTAL |
102.927,44 |
100,00 |
1.377,87 |
73,38 |
114,82 |
6,11 |
(1) Peças,
serviços de oficina, combustível dos caminhões
D — 12.000 e F — 4.000.
(2) Poço, sistema de bombeamento, rede elétrica, sistema
hidráulico, cercas, insumos, implementos e utensílios.
No ano de 1998, o programa apoiava 1.403 lotes ocupando 74,7 ha.
Número médio de lotes por hectare = 18,78
3.3 Principais intervenções
e instrumentos
A implantação de uma horta comunitária se inicia
normalmente com uma solicitação da comunidade junto à
SEMAB — Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, através
de um requerimento, ao tempo em que coloca à disposição
da SEMAB uma área existente na região, que será
visitada por um técnico, o qual fará o levantamento das
condições técnicas como: solo; declividade da área;
disponibilidade de energia elétrica; cobertura vegetal; clientela
a ser beneficiada e se a Prefeitura Municipal ainda não definiu
outra utilização para a mesma. Após a aprovação
do local pela SEMAB inicia-se o levantamento topográfico como
base para a elaboração do projeto técnico-social.
O próximo passo a seleção das famílias inscritas
na associação de moradores da localidade beneficiada,
através de análise de um questionário preenchido
quando da inscrição, feita pelos técnicos da SEMAB
(assistentes sociais e engenheiros agrônomos e técnicos
agrícolas). Cada família selecionada recebe um lote, com
área aproximada de 400m 2, e a infra-estrutura necessária
para a produção.
A Prefeitura/SEMAB implanta a infra-estrutura básica necessária
ao empreendimento: a) cerca periférica, e b) sistema de irrigação
(poço tubular, sistema de bombeamento, sistema hidráulico,
rede elétrica, casa de bombas/quadro de comando), fornece as
ferramentas, utensílios e insumos para o início das atividades;
presta assistência técnica de forma sistemática
e permanente, capacitando as famílias beneficiadas no processo
produtivo e no uso racional da terra.
Atualmente o maior entrave na cadeia produtiva se refere a comercialização
da produção, havendo a necessidade de capacitação
das famílias envolvidas no sentido de se organizarem em grupos
de produtores visando a participação regular e contínua
no mercado local com produtos de boa qualidade e preços competitivos.
3.4 Exemplo de unidade padrão
de horta comunitária
O modelo atualmente implantado se constitui numa horta, dotada de toda
a infra-estrutura necessária ao seu desenvolvimento, cujos custos
são estimados em R$ 19.000,00 por hectare, no entanto nos anos
de 1997 e 1998 a Prefeitura Municipal conseguiu implantar um hectare
pelo valor médio de R$ 16.233,10, conforme Tabela 10.
Esta infra-estrutura é instalada no interior da horta de maneira
que leva benefícios a todos os horticultores. Para exemplificar,
apresenta-se um croqui de uma horta padrão de 2,0 ha (Figura
2).
Nos lotes individuais são construídos os canteiros padrões
com 1,0m de largura por 10,0m de comprimento, ficando um espaço
entre os mesmos de 0,4m, para facilitar o deslocamento durante a realização
dos tratos culturais. No interior do lote, ainda são destinadas
áreas para depósito de esterco e em alguns casos para
a construção de uma infra-estrutura de apoio (barraca
de proteção), e para o cultivo de culturas em covas individuais.
A Figura 3 mostra o croqui de um lote padrão adotado em Teresina.
Tabela 10 — Custos de implantação das horta
comunitárias (R$/ha)
1997/1998*
| Especificação |
1997 / 1998 * |
1999 (valor estimado) |
| Quantidade |
Valor praticado |
% |
Limpeza e preparo do terreno
Levantamento planialtimétrico Subtotal 1
|
1 ha |
592,31
92,12
684,43 |
4,22 |
750,00 |
| Cerca de Proteção |
300 m |
2.161,54 |
13,31 |
2.600,00 |
Poço tubular
Casa de bomba / quadro de comando
Rede Elétrica BT (220/380V)
Sistema de bombeamento
Sistema hidráulico e abertura de valas
Manilhas Subtotal 2 |
1 unidade
1 unidade
30 m
1 unidade
700 m
25 unidades - |
4.315,38
211,54
540,47
1.382,07
1.460,64
362,00
8.272,10
|
50,96 |
4.800,00
250,00
900,00
1.700,00
1.500,00
470,00
9.620,00 |
| Insumos (sementes, adubos, defensivos, calcário, palhas
e esterco) |
|
4.049,03 |
24,94 |
4.830,00 |
| Ferramentas e utensílios |
115 ** |
1.066,00 |
6,57 |
1.200,00 |
| TOTAL |
|
16.233,10 |
100 |
19.000,00 |
* Implantados 15,5
ha com 371 lotes. Número médio de lotes por hectare =
23,93. Custo médio por lote = R$ 678,36.
**Enxadas (25), colheres de transplantio (25), ancinhos (25), regadores
(25), p s (06), carros-de-mão (06) e pulverizadores (03),
Figura 2 - Horta Comunitária Padrão
ÁREA TOTAL: 2,0 HA
POÇO TUBULAR E CASA DE BOMBAS
NÚMERO DE LOTES: 50
NÚMERO DE FAMÍLIAS: 50
Figura 3 - Lote Padrão de uma horta comunitária
ÁREA TOTAL: 400 m 2 (20 x 20m)
ÁREA ÚTIL: 220 m 2
Largura dos canteiros: 1,00 m
Comprimento médio: 10,00 m
Número de canteiros: 22
área útil aproveitada: 55 %
MANILHA
DEPÓSITO
DE ESTERCO
ABRIGO
Os canteiros são construídos pelos horticultores. Há
uma orientação para que os mesmos guardem uma uniformidade
e que sejam dotados de condições que proporcionem uma
drenagem eficiente. Com este objetivo, os horticultores utilizam-se
de diversos tipos de materiais para a contenção do solo
e elevação do nível dos canteiros, onde predomina
o uso de restos de materiais de construção (telhas, madeiras,
vigas, tijolos, etc.), conforme esquemas mostrados na Figura 4.
3.5 Despesas e receitas na Agricultura
Urbana
Apesar dos horticultores cultivarem uma variedade de culturas, boa parte
da receita é representada pela comercialização
dos três produtos mais cultivados (cebolinha, coentro e alface).
Portanto definiu-se como padrão o cultivo de acordo com a seguinte
distribuição das culturas nos lotes, considerando uma
média de 22 canteiros com dimensão de 10,0m x 1,0m, como
segue::
| Cebolinha |
13 canteiros |
59% |
| Coentro |
6 canteiros |
27% |
| Alface |
3 canteiros |
14% |
CULTURA
1 — CEBOLINHA (Implantada com mudas)
CICLO TOTAL — 60 DIAS - 2 MESES
Tabela 11 - Orçamento para custeio de um canteiro
de 10 m2 visando a obtenção de um ciclo de produção
- exceto mão-de-obra (familiar)
| Especificação |
Unidade |
Quantidade |
Valor
unitário |
Valor
total |
| Mudas de
cebolinha (afilhos) (1) |
Kg |
3,0 |
1,50 |
4,50 |
| Adubo Químico
(5-30-15) + FTE |
Kg |
1,5 |
0,73 |
1,09 |
| Esterco * |
m3 |
0,2 |
25,00 |
5,00 |
| Sulfato
de amônio |
Kg |
0,4 |
0,60 |
0,24 |
| Total de
um canteiro |
10,83 |
| Total de
13 canteiros |
140,79 |
* Esterco bovino,
caprino ou ovino, sem misturas e devidamente curtido.
(!) São necessários para o cultivo de cada m2 de canteiro,
300g de afilhos; 150g de adubo químico da fórmula (5-30-15)
+ FTE (micronutrientes); 20 litros de esterco de curral e 40g de sulfato
de amônio em cobertura, divididos em duas aplicações,
aos 20 e aos 40 dias após o transplantio.
Figura 4- Forma e materiais utilizados na construção dos
canteiros
TELHA
SOLO
RESTOS DE CONSTRUÇÃO
(TIJOLOS, VIGAS, BAMBU / MADEIRA)
30 cm 10 100 150 40c
CULTURA 1 — CEBOLINHA (Implantada com sementes)
CICLO TOTAL — 90 DIAS - 3 MESES
Tabela 12 - Orçamento para custeio de um canteiro
de 10 m 2 visando a obtenção de um ciclo de produção
- exceto mão-de-obra (Familiar)
| Especificação |
Unidade |
Quantidade |
Valor unitário |
Valor total |
| Sementes
de cebolinha (2) |
g |
2,0 |
0,09 |
0,18 |
Adubo
Químico (5-30-15)+FTE |
Kg |
1,5 |
0,73 |
1,09 |
| Esterco * |
m3 |
0,2 |
25,00 |
5,00 |
| Sulfato de
amônio |
Kg |
0,4 |
0,60 |
0,24 |
| Palha de
babaçu |
Unidade |
6,0
|
0,07 |
0,42 |
| Total de
um canteiro |
6,93 |
| Total de
13 canteiros |
90,09 |
* Esterco bovino,
caprino ou ovino, sem misturas e devidamente curtido.
São necessários para o cultivo de cada m 2 de canteiro,
0,2g de sementes; 150g de adubo químico da fórmula
(5-30-15) + FTE (micronutrientes); 20 litros de esterco de curral;
40 g de sulfato de amônio em cobertura, divididos em duas
aplicações, aos 20 e aos 40 dias após o transplantio
e 6 palhas de babaçu para cada 10 m2 de canteiro.
(2) 1g
de semente contém em média 250 sementes; com 80% de
germinação obtém 200 mudas/g de semente. O
aproveitamento médio obtido em torno de 80%, ou seja, 160
mudas em estado adequado para o transplantio. São necessárias
320 mudas para o plantio de um canteiro de 10
m2, totalizando 2 g de semente.
CULTURA
2 — COENTRO
CICLO TOTAL — 40 DIAS - 1,33 MESES
Tabela 13 - Orçamento para custeio de um canteiro de 10 m 2 visando
a obtenção de um ciclo de produção - exceto
mão-de-obra (familiar)
| Especificação |
Unidade |
Quantidade |
Valor unitário |
Valor total |
| Sementes
de coentro |
Kg |
0,05 |
18,00 |
0,90 |
| Adubo Químico
(5-30-15)+FTE |
.
Kg |
1,50 |
0,73 |
1,09 |
| Esterco* |
m_ |
0,20 |
25,00 |
5,00 |
| Sulfato de
amônio |
Kg |
0,40 |
0,60 |
0,24 |
| Palha de
babaçu |
Un |
6,00 |
0,07 |
0,42 |
| Total de
um canteiro |
7,65 |
| Total de
13 canteiros |
45,90 |
* Esterco
bovino, caprino ou ovino, sem misturas e devidamente curtido.
São necessários para o cultivo de cada m2 de canteiro,
5 g de sementes; 150g de adubo químico na fórmula (5-30-15)
+ FTE (micronutrientes); 20 litros de esterco de curral; 40 g de sulfato
de amônio em cobertura, divididos em duas aplicações,
aos 10 e aos 20 dias após o transplantio; e 6 palhas de babaçu
para cada 10m2 de canteiro.
CULTURA 3 — ALFACE
CICLO TOTAL — 40 DIAS - 1,33 MESES
Tabela 14 - Orçamento para custeio de um canteiro de 10m2 visando
a obtenção de um ciclo de produção - exceto
mão-de-obra (familiar)
| Especificação |
Unidade |
Quantidade |
Valor unitário |
Valor total |
| Semente de
alface (3) |
g |
0,45 |
0,17 |
0,07 |
| Adubo Químico
(5-30-15)+FTE |
Kg |
1,50 |
0,73 |
1,09 |
| Esterco*
|
m3 |
0,20 |
25,00 |
5,00 |
| Sulfato de
amônio |
Kg |
0,40 |
0,60 |
0,24 |
| Palha de
babaçu |
Un |
6,00 |
0,07 |
0,42 |
| Total de
um canteiro |
6,82 |
| Total de
13 canteiros |
20,46 |
*
Esterco bovino, caprino ou ovino, sem misturas e devidamente curtido.
São necessários para o cultivo de cada m2 de canteiro,
0,045 g de sementes (1); 150g de adubo químico na fórmula
(5-30-15) + FTE micronutrientes); 20 litros de esterco de curral;
40 g de sulfato de amônio em cobertura, divididos em duas aplicações,
aos 10 e aos 20 dias após o transplantio e 6 palhas de babaçu
para cada 10 m2 de canteiro.
(3) 1g de semente contém em média 900 sementes; com
80% de germinação obtêm-se 720 mudas/g de semente.
O aproveitamento médio obtido é em torno de 50%, ou
seja, 360 mudas em estado adequado para o transplantio. São
necessárias 160 mudas para o plantio de um canteiro de 10 m2,
totalizando 0,45 g de semente.
RESUMO DOS CUSTOS:
| Cultivo |
Custeio por
ciclo |
Tempo de
ocupação do canteiro |
Gastos no
per odo de 1 ano |
| CEBOLINHA
(afilhos) : (13 canteiros) |
R$
140,79 |
2
meses (6 ciclos ano) |
R$
844,74 |
| CEBOLINHA
(semente): (13 canteiros) |
R$
90,09 |
3
meses (4 ciclos ano) |
R$
360,36 |
| COENTRO:
(6 Canteiros) |
R$
45,90 |
1,33
meses (9 ciclos ano) |
R$
413,10 |
ALFACE: (3 Canteiros) |
R$
20,46 |
1,33
meses (9 ciclos ano) |
R$
184,14 |
Custos
de um lote em 1 ano (13 canteiros de cebolinha (afilhos); 6
de coentro e 3 de alface) |
R$
1.441,98 |
Custos
de um lote em 1 ano (13 canteiros de cebolinha (semente); 6
de coentro e 3 de alface) |
R$
957,60 |
Receitas auferidas
por uma família em um lote padrão
| Espécie
cultivada |
Rendimento
médio |
Produção
total
dos canteiros |
Período
de cultivo |
Produção
anual |
Preço
médio
de venda |
Renda
anual
obtida |
Cebolinhas
(afilhos):
13 canteiros de 10m2 |
1,5
kg/m2 |
195,0
kg |
60
dias (2,00 meses) |
1.170
kg |
R$
1,50/kg |
R$
1.755,00 |
Cebolinhas
(sementes):
13 canteiros de 10m2 |
1,5
kg/m2 |
195,0
kg |
90
dias (3,00 meses) |
780
kg |
R$
1,50/kg |
R$
1.170,00 |
Coentro:
6 canteiros de 10m2; |
1,0
kg/m2 |
60,0
kg; |
40
dias (1,33 meses) |
540
kg |
R$
3,00/kg |
R$
1.620,00 |
Alface:
3 canteiros de 10m2 |
16
pés/m2 |
480
pés |
40
dias (1,33 meses) |
4.320
pés |
R$
0,25/pé |
R$
1.080,00 |
Renda líquida obtida
| Cebolinha
(afilhos) |
R$
1.755,00 |
| Coentro |
R$ 1.620,00 |
| Alface |
R$
1.080,00 |
| Total
da receitas |
R$
4.455,00 |
| Total
dos custos |
R$
1.441,98 |
| Renda
líquida anual |
R$
3.013,02 |
| Renda
líquida mensal |
R$
251,08 = US$ 143,47 |
|
| Cebolinha
(semente) |
R$
1.170,00 |
| Coentro |
R$
1.620,00 |
| Alface |
R$
1.080,00 |
| Total
da receitas |
R$
3.870,00 |
| Total
dos custos |
R$
957,60 |
| Renda
líquida anual |
R$
2.912,40 |
| Renda
liquida mensal |
R$
242,70 = US$ 138,68 |
|
Obs.:
US$ 1,00 = R$ 1,75 e SM — R$ 136,00
3.6 Sistemas de produção
das hortaliças mais cultivadas
3.6.1 Cultura do alface (Lactuca sativa)
O brasileiro tem esta hortaliça como o elemento básico
em saladas, embora o seu valor nutritivo seja inferior à sua
popularidade. Possui quantidades razoáveis de vitaminas A e
C, de cálcio, fósforo e ferro, contém ainda fibras
e um princípio calmante muito eficaz.
| Cultivares |
As variedades
de alface estão reunidas em 4 grupos principais: crespa,
lisa, repolhuda e romana. No Piauí são mais conhecidas
as dos grupos crespa e lisa.
Variedades Crespas: Alface Elba, Brisa, Verônica e Crespa
Repolhuda;
Variedades Lisas: Alface Babá de Verão e Regina |
| Plantio |
A semeadura
feita em sementeira previamente preparada, em sulco de 1 cm de
profundidade, com espaçamento de 10 cm entre sulcos, semeando-se
2 a 5 g/m2 de sementeira. Após a semeadura faz-se a irrigação
e cobre-se a sementeira com palha de babaçu retirando-as
após a brotação e expondo-se as plantas ao
sol. Pode ser também utilizado o plantio em copos descartáveis,
de papel e bandejas de transplantio, semeando-se 3 a 4 sementes
por recipiente, sendo consumidos 0,45 g de semente para cada 10
m2 de canteiro. |
| Transplantio |
Faz-se o
transplantio para o canteiro definitivo quando as plantas estiverem
com quatro a cinco folhas e 8 a 10 cm de altura, cerca de 20 —
30 dias após o plantio, usando um espaçamento de
25 x 25 cm. Em seguida faz-se uma cobertura de palha com 30 a
50 cm de altura. Em 3 dias retira-se a cobertura, deixando-se
as plantas expostas ao sol. |
| Adubação |
Recomenda-se
para o primeiro cultivo no canteiro definitivo, a aplicação
de 20 litros/m 2 de esterco de animal bem curtido (no caso de
esterco de galinha, usar, a metade) e mais 150 g de adubo químico,
na formula o 5-30-15+FTE misturado com terra e esterco. Após
o transplantio, aos 10 e aos 20 dias, aplicar em cobertura, 20g/m2
de sulfato de amônio. |
| Tratos Culturais |
Os canteiros
devem ser mantidos limpos e úmidos, fazendo-se uma rega
pela manhã e outra tarde, para as plantas terem um bom
desenvolvimento. |
| Colheita |
Deve ser
feita quando as plantas estiverem bem desenvolvidas, cerca de
30 a 40 dias após o transplantio, arrancando o pé
pela raiz. |
3.6.2
Cultura da cebolinha (Allium schoenoprasum)
A cebolinha é uma planta condimentar muito semelhante à
cebola, mas não desenvolve bulbos. Em parceria com o coentro,
compõe o cheiro verde. É uma aliácea, mesma família
da cebola e do alho. Ela desenvolve-se melhor em condições
de clima ameno. Existem cultivares que resistem bem ao calor. A cebolinha
se caracteriza ainda pelo perfilhamento abundante que forma uma touceira
à medida que ocorre o envelhecimento. Do ponto de vista nutricional
é rica em vitamina A e cálcio.
| Cultivares |
As mais recomendadas
são as Hanegui, Futonequi e aquelas chamadas "todo
ano". |
| Plantio |
Pode ser
feita de duas maneiras, através de sementes com a utilização
de sementeira com transplantio de mudas ao canteiro definitivo,
com o consumo de 2 g de semente/canteiro de 10 m2, ou o mais comum
na regi o de Teresina, a utilização de afilhos de
plantas adultas a base de 300 g/m 2 de canteiro no espaçamento
de 20 x 15 cm. |
| Adubação |
Aconselha-se
misturar com o solo do canteiro 20 litros de esterco bem curtido
mais 150g de adubo químico formulado (5-30-15)+FTE. Após
o transplantio, aos 20 e aos 40 dias, aplicar em cobertura, 20g/m2
de sulfato de amônio. |
| Tratos Culturais |
Consistem
nas capinas, escarificações e regas nos turnos da
manhã e da tarde. O solo deve permanecer sempre úmido,
nunca encharcado. Sempre que possível usar cobertura morta
(palha de arroz, mato seco, etc.) para ajudar na manutenção
da umidade do solo e auxiliar no controle dos matos (ervas daninhas). |
| Colheita |
Ela se inicia
de 80 a 100 dias após a semeadura, (plantio direto). Se
o plantio provier das mudas da sementeira, (afilhos) a colheita
pode começar a correr com 50 a 60 dias após o transplantio.
Para estimular o rebrote da cebolinha recomenda-se o corte das
folhas quando atingirem 30 cm (corte de 10 a 15 cm do solo). A
rotação de cultura é recomendada para eliminar
focos de pragas e doenças e não esgotar o solo.
|
3.6.3 Cultura do coentro (Coriandum sativum)
O coentro uma erva aromática anual originária do sul
da Europa e Oriente. Pertencente a família botânica das
Umbelíferas, a mesma da cenoura e da salsa, entre outras. É
um dos temperos básicos para todos os pratos salgados da cozinha
no norte e nordeste brasileiros. É uma cultura de clima quente.
| Cultivares |
As melhores
adaptadas à nossa região são: Verdão,
Palmeira e Português. |
| Plantio |
É
feito em canteiro definitivo, distribuindo-se as sementes em filete
contínuo, em sulcos distanciados de 20cm. Semeiam-se 5g/m2.
Após a semeadura, recomenda-se a cobertura do canteiro
com palha de babaçu, para manter a umidade do solo e melhorar
a germinação das sementes, retirando-as em seguida
à brotação. |
| Adubação |
Colocar bem
misturado com a terra 20 litros de esterco animal bem curtido
(metade da quantidade se for esterco de galinha) no primeiro ano.
A utilização de 150 g de adubo químico na
formulação (5-30-15)+FTE ajuda a suprir as necessidades
da planta. Após a germinação das sementes,
aos 10 e aos 20 dias, adubar em cobertura, 20g/m2 de sulfato de
amônio. |
| Tratos culturais |
Os tratos
culturais consistem nas capinas e regas feitas pelo período
da manhã e da tarde. |
| Colheita |
A colheita
inicia-se aos 30 dias do plantio, arrancando as plantas com as
raízes. Atam-se os pés em molhos, para a comercialização. |
3.6.4
Cultura do quiabo (Hibiscus esculentus)
É uma planta anual, cujo caule ereto, podendo atingir até
3 m de altura; as flores se autopolinizam; os frutos são curtos
ou alongados, do tipo cápsulas, com ponta sempre afiada, com
coloração externa esbranquiçada, verde-claro
e verde-escuro. Pode ser cultivado em todo o território nacional,
sendo os melhores solos os areno-argilosos, com pH entre 6,0 e 6,5.
Pertence a família das malváceas, a mesma do algodão
e da vinagreira. Do ponto de vista nutritivo, é rico em fibras,
ferro, cobre, cálcio, fósforo e vitamina A, B e C.
| Cultivares |
A variedade
mais cultivada em nossa região é a Santa Cruz-47.
São conhecidas também a Campinas II, Colhe Bem e
Ibiré. |
| Plantio |
O quiabeiro
pode ser plantado o ano todo, em regiões quentes. Na nossa
região, recomendamos o plantio de 3 a 5 sementes por cova
quando feita no local definitivo. Pode também se fazer
sementeira em copos descartáveis.
Recomenda-se colocar as sementes de molho por 24 horas para acelerar
a germinação. No caso de covas recomendamos o espaçamento
de 1,0m x 0,5m. |
| Adubação |
No geral,
recomendamos 2 litros de esterco animal, mais 50 g da fórmula
5-30-15+FTE por cova. A aplicação de adubo nitrogenado
em cobertura (25 g de sulfato de amônio) antes do início
da floração. |
| Tratos culturais |
Deve-se fazer
a irrigação e manter a área capinada. Costuma-se
cortar a haste do quiabeiro a 15 cm do solo, 5 e 6 meses após
o plantio, para revigorar a produção. |
| Colheita |
A colheita
é feita de 70 a 80 dias após a semeadura, quando
os frutos estão tenros, e prolonga-se por vários
meses. |
3.6.5 Cultura da couve (Brassica oleracea)
A couve, também conhecida como couve-manteiga, couve-comum
ou couve-folha, é da família das Crucíferas,
composta pelas demais couves, repolho, brócolis, rabanete,
entre outras.
Faz parte da cultura brasileira a couve-manteiga como acompanhante
das feijoadas ou de outros pratos a base de feijão. Essa combinação
é muito saudável porque a couve ajuda na digestão
do feijão, um alimento pesado. É bem mais rica em vitamina
A que a maioria das outras hortaliças.
Contém ainda vitamina B e mais vitamina C que a maioria das
outras hortaliças. É muito rica em minerais, principalmente
enxofre, potássio, iodo, cobre, flúor, cálcio,
fósforo e ferro.
Pode ser tolerante tanto ao frio como ao calor, podendo ser plantada
o ano todo.
| Cultivares |
A variedade
mais cultivada em nossa região é a Santa Cruz-47.
São conhecidas também a Campinas II, Colhe Bem e
Ibiré. |
| Plantio |
A semeadura
feita na sementeira, em sulcos com 1cm de profundidade distanciados
em 10 cm. Quando as mudas estiverem com 4 a 5 folhas e 10 cm de
altura faz-se o transplantio para o local definitivo. Também
pode ser transplantada utilizando-se as brotações
que aparecem nas plantas adultas. O espaçamento mais usado
é de 0,80 m x 0,40 m. |
| Adubação |
Recomenda-se
adubar com 1 litro de esterco animal mais 100g de adubo químico
na formulação 5-30-15+FTE por cova. A aplicação
de adubo nitrogenado em cobertura deve ser realizada à
base de 20 g de sulfato de amônio por cova. |
| Tratos culturais |
Do transplante
até o pegamento, irrigar diariamente. Fazer capinas sempre
que necessário e trazer terra até a base da planta.
Quando a couve estiver bem crescida, deve ser feito o tutoramento
para evitar o tombamento da planta. |
| Colheita |
As folhas
vão sendo colhidas a medida que estiverem desenvolvidas,
de 60 a 70 dias após a semeadura. |
3.6.6
Cultura da berinjela (Solanum melogema)
A berinjela é natural das zonas tropicais da Índia e
da China. É uma solanácea, da mesma família do
tomate e pimentão. A planta, em condições de
clima quente, pode ser plantada durante todo o ano. Em relação
ao poder nutritivo, é muito rica em proteínas, podendo
substituir a carne, porém é pobre em vitaminas e minerais.
Atualmente é muito utilizada como redutor dos ní veis
de colesterol no sangue.
| Cultivares |
As berinjelas
podem ser compridas (mais aceitas no mercado), meio compridas
e redondas. |
| Plantio |
Pode ser
feito direto no solo, com 4-5 sementes por cova, ou em sementeira,
distribuindo-se as sementes em sulcos distanciados em 10 cm, ou
ainda, em copos descartáveis de papel ou em bandeja.
O transplantio feito quando as mudas atingem 8 a 10 cm de altura,
o espaçamento no local definitivo de 1 m x 0,80 m. |
| Adubação |
Recomenda-se
3 litros de esterco animal mais 150 g de adubo químico
na formulação 5-30-15+FTE por cova. A aplicação
de adubo nitrogenado em cobertura (50 g de sulfato de amônio)
antes da floração estimula a emissão de novos
brotos, aumentando a produção. |
| Tratos culturais |
A irrigação
da sementeira deve ser diária e depois, apenas para deixar
o solo úmido. A área deve ser mantida livre da competição
de ervas daninhas. |
| Colheita |
Colher os
frutos à medida que os mesmos forem desenvolvendo-se; isto
inicia-se aos 90 a 100 dias após o transplantio. |
3.6.7 Cultura da pimenta (Capsicum spp)
Seu centro de origem está na América do Sul e América
Central. Pertence à família das solanáceas sendo
portanto parente do tomate, pimentão, berinjela. É bastante
utilizada na culinária dos povos americanos e africanos. São
ricas em vitaminas A, B e C, fósforo e ferro.
| Cultivares |
Existem muitas
espécies que popularmente são chamadas de pimenta.
Todas mantêm, apesar de que com intensidades diferentes,
o seu ardor característico devido à presença
da capsateina. |
| Plantio |
Em sementeiras,
distribuem-se as sementes distanciadas em 10 cm. Podem também
ser plantadas em copos descartáveis de papel, bandeja de
transplantio, ou diretamente em local definitivo. O transplantio
é feito quando as mudas estiverem com 8-10 cm de altura,
no espaçamento 100-120 cm entre linhas e 50-70 cm entre
covas. |
| Adubação |
Usar nas
covas 2 litros de esterco bem curtido com uma complementação
de 150g de adubo químico na formulação (5-30-15)+FTE.
A adubação de cobertura nitrogenada pode ser feita
se a planta apresentar uma coloração verde bem claro;
nesse caso, aplicar 20 g de sulfato de amônio por cova antes
da floração. |
| Tratos culturais |
Apesar de
não ser muito exigente em água, o solo deve estar
permanentemente úmido, nunca encharcado, possibilitando
floradas maiores e um desenvolvimento melhor da planta. A área
deve estar livre da competição de ervas daninhas. |
| Colheita |
Podem-se
colher os frutos ainda verdes ou maduros, sendo que a primeira
florada ocorre aos 90 dias conforme a cultivar/variedade e pode
prolongar-se por vários dias. A pimenteira é uma
planta perene que pode produzir por mais de um ano conforme o
seu estado nutricional. |
3.7 Comercialização
A venda dos produtos das hortas comunitárias é realizada
de acordo com a capacidade de cada horticultor, já que não
há uma organização dos mesmos para o processo
de comercialização. Os produtos são comercializados
para feirantes, comerciantes, supermercados, atacadistas e diretamente
para os próprios consumidores, que se dirigem às hortas
no intuito de adquirir um produto fresco, podendo ser escolhido diretamente
no canteiro.
A cidade de Teresina dispõe de 22 mercados públicos,
sendo 17 ligados à Prefeitura Municipal e 5 ligados ao governo
do Estado do Piauí (Tabela 15). Além destes pontos de
venda, os horticultores podem comercializar seus produtos nas Centrais
de Abastecimento do Estado do Piauí S/A — CEASA, empresa
estadual de economia mista que tem como objetivo ser uma Central Atacadista,
centro polarizador do abastecimento, com a finalidade de orientar
a distribuição dos produtos hortigranjeiros. As Figuras
5, 6, 7, 8 e 9 mostram a distribuição das hortas comunitárias
na zona urbana de Teresina nas diversas Regiões Administrativas
e a infra-estrutura de comercialização oficial disponível.
Vermelha Vermelha
Cajueiro Cajueiro
Central Central Mafu Mafu
Pi arra Pi arra
Figura 5 - Distribui o das hortas comunit rias e infra-estrutura de
comercializa o Figura 5 - Distribui o das hortas comunit rias e infra-estrutura
de comercializa o
Região Administrativa Centro Região Administrativa Centro
Mercado Horta
Central Atacadista
Fiigurr aa 6 -- Dii ss tt rr iibuii o daa ss horr tt aa ss ccomunii
tt rr ii aa ss ee iinff rr aa -- ee ss tt rrutturr aa dee
cc omee rr cc ii aa ll ii zz aa o
Ree g ii o Admii n ii ss tt rr aa tt ii v aa No rr tt ee
Dique Dique
Beira Rio Beira Rio
Mafrense Mafrense
Vila Apol ni a Vila Apol nia
Vila Carlos Vila Carlos
Feitosa Feitosa
S o Joaquim S o Jo aquim
Santa Maria da CODIPI Santa Maria da CODIPI
Wall Wall Ferraz Ferraz
S o F rancisco Norte S o Francisco Norte
Monte Verde Monte Verde
Sinh B orges Sinh B orges
Buenos Buenos Aires Aires
Risoleta Risoleta Neves Neves
Mercado Mercado
Horta Horta
Central Atacadista Central Atacadista
Fiigurr aa 7 -- Dii ss tt rr iibuii o daa ss horr tt aa ss ccomunii
tt rr ii aa ss ee iinff rr aa -- ee ss tt rrutturr aa dee
cc omee rr cc ii aa ll ii zz aa o
Ree g ii o Admii n ii ss tt rr aa tt ii v aa Lee ss tt ee
Vila Nova I Vila Nova I
Vila Nova III Vila Nova III
Vila Nova II Vila Nova II
Sat lite
Vila Fraternidade Vila Fraternidade
Pi arreira Pi arreira
Peixe Peixe
Pi
arreira
Pi
arreira
Geovane Geovane Prado Prado Vila do Avi o Vila do Avi o
Mercado Mercado
Horta Horta
Central Atacadista Central Atacadista
Fiigurr aa 8 -- Dii ss tt rr iibuii o daa ss horr tt aa ss ccomunii
tt rr ii aa ss ee iinff rr aa -- ee ss tt rrutturr aa dee
cc omee rr cc ii aa ll ii zz aa o
Ree g ii o Admii n ii ss tt rr aa tt ii v aa Su d ee ss tt ee
Vila N. S. da Guia Vila N. S. da Guia
Vila Vila Poti Poti
Itarar Itarar
Parque Ideal Parque Ideal
Renascen a Renascen a
Vila Paris Vila Paris
Vila Bel Terra Vila Bel Terra
Monte Monte Horebe Horebe
Vila Ferrovi ri a Vila Ferrovi r ia
Alto da Ressurrei o Alto da Ressurrei o
Todos os Santos Todos os Santos
Renascen a I Renascen a I
Renascen a II Renascen a II
Dirceu I Dirceu I
Dirceu II Dirceu II
Mercado Mercado
Horta Horta
Central Atacadista Central Atacadista
Santa Luzia Santa Luzia
Vila N. S. do Ros rio Vila N. S. do Ros rio
Ceasa Ceasa
Parque Piau Parque Piau
Promorar Promorar
Promorar Promorar
Vila Irm D ulce Vila Irm D ulce
Vila da Gl ria I Vila da Gl ria I
Vila da Gl ria II Vila da Gl ria I I
Vila S. Francisco Sul Vila S. Francisco Sul
Vila Planalto Santa F Vila Planalto Santa F
Bela Vista Bela Vista
Lourival Parente Lourival Parente
Morada Nova Morada Nova
Tabuleta Tabuleta
Pequenos Animais Pequenos Animais Vila Parque S. Jo o Vila Parque
S. Jo o
Mercado Mercado
Horta Horta
Central Atacadista Central Atacadista
Figura 9 - Distribuição das hortas comunitári
as e infra-estrutura de comercialização
Região
Administrativa Sul
Tabela 15 — Rela o dos mercados p blicos existentes em Teresina
ESTABELECIMENTO/
RELACIONAMENTO
ÁREA CONSTRUÍDA (M2)
N… DE CONCESSIONÁRIOS
REGI O
ADMINISTRATIVA
Prefeitura Municipal de Teresina 24.380 2.081 -
Bela Vista 190 10 Sul
Buenos Aires 1.100 59 Norte
Cajueiro 695 17 Centro
Central 5.540 1.022 Centro
Lourival Parente 500 30 Sul
Mafu 1.570 103 Centro
Morada Nova 800 21 Sul
Parque Piau 5.300 330 Sul
Peixe 1.800 3 Leste
Pequenos Animais 600 5 Sul
Pi arra 2.400 144 Centro
Pi arreira 240 15 Leste
Promorar 600 62 Sul
S o Joaquim 800 83 Norte
Sat lite 600 69 Leste
Todos os Santos 200 1 Sudeste
Vermelha 1.445 107 Centro
Governo do Estado do Piau 23.072 1.377
CEASA 15.457 889 Sul
Renascen a I 1.000 23 Sudeste
Renascen a II 800 71 Sudeste
Dirceu Arcoverde I 4.200 353 Sudeste
Dirceu Arcoverde II 1.615 41 Sudeste
TOTAL 47.452 3.458 -
4. ATORES ENVOLVIDOS
4.1 Período 1987 - 1996
Desde o desenvolvimento da idéia de implantação
das hortas comunitárias, a prefeitura de Teresina procurou
estabelecer parcerias e buscar apoio junto a entidades que possuíam
objetivos semelhantes e que pudessem contribuir técnica e financeiramente.
As primeiras entidades envolvidas estavam ligadas à problemática
da criança de rua. Dessa forma contribuíram para o Programa
de Hortas Comunitárias, as seguintes entidades:
- Fundação
Nacional para o Bem-estar do Menor (FUNABEM) — foi a principal
parceira no início do programa, com recursos para a implantação
das primeiras hortas comunitárias em Teresina. Sua participação
no programa foi encerrada em 1989, atuando na implantação
da Horta Vila Nova I, no bairro Pedra Mole;
- Legião
Brasileira de Assistência (LBA) — participou na implantação
da Horta Risoleta Neves em 1994 ;
- Serviço
Social do Estado do Piauí (SERSE) — Cessão das
áreas da Santa Maria da Codipi e Mafrense;
- Fundação
Banco do Brasil (FBB) — participou na implantação
da Horta Vila Nova II em 1995;
- Missão
Batista Equatorial do Brasil (MBEB) — participou na implantação
da Horta Vila Nova II em 1995, perfurando um poço tubular;
- Programa de Apoio
ao Pequeno Produtor (PAPP) — participou com recursos na implantação
da Horta do Parque Wall Ferraz. A partir de 1997, com a redefinição
da política federal de apoio ao pequeno produtor, agora denominado
PCPR — Programa de Combate à Pobreza Rural, Teresina
foi excluída da área de atuação do programa,
sendo dado preferência aos municípios do interior.
4.2
Parceiros atuais
O Programa de Hortas Comunit rias, está direcionado à
criação de oportunidades de trabalho e geração
de renda. Atualmente, a principal fonte de
recursos é o BNDES, através de uma linha de financiamento
do Projeto Vila-Bairro. Os principais colaboradores e suas respectivas
responsabilidades específicas são detalhados a seguir:
- Associações
de moradores: solicitar, divulgar e mobilizar as comunidades visando
promover as inscrições para seleção dos
horticultores, conforme os critérios pré-estabelecidos
pela SEMAB;
- Famílias
de baixa renda: participar efetivamente do processo de produção
com o envolvimento de todos os seus membros;
- Prefeitura Municipal
de Teresina (PMT)/Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento
(SEMAB): coordenar, implantar, acompanhar e avaliar o projeto e colocar
à disposição seu corpo técnico e pessoal
de apoio e participar financeiramente;
- Prefeitura Municipal
de Teresina (PMT)/Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação
Geral (SEMPAN): coordenar, acompanhar e avaliar as ações
do subprojeto de hortas, considerando como parte integrante do Projeto
Vila Bairro.
- Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): órgão
financiador do projeto Vila-Bairro;
- Companhia Hidroelétrica
do Rio São Francisco (CHESF): órgão responsável
por concessões de áreas localizadas sob as linhas de
transmissão em alta tensão. A CHESF enfrentava vários
problemas para proporcionar a manutenção de suas faixas
de servidão, pois a necessidade de manutenção
dessas áreas é constante, visando evitar o acúmulo
de lixo e animais mortos, fatos responsáveis por freqüentes
reclamações junto a empresa. A concentração
de marginais nessas áreas era outro problema que comprometia
a segurança da população.
Em contrapartida a Prefeitura Municipal se compromete a não
permitir edificações ou atividades que ultrapassem as
alturas mínimas de segurança sob sistemas eletrificados;
- Serviço
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Piauí (SEBRAE-PI)
e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR): apoio a capacitação
de horticultores;
- Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA): cessão de áreas
para implantação da Horta Sinhá Borges e cooperação
técnico científica;
- Universidade
Federal do Piauí (UFPI): cessão de áreas para
implantação das hortas da Piçarreira e Vila Fraternidade
e cooperação técnico- científica;
- Fundação
de Apoio a Pesquisa do Estado do Piauí (FAPEPI): cooperação
técnico-científica;
- Ministério
da Agricultura e Abastecimento (MAA), através da Delegacia
Federal da Agricultura (DFA): mantém um termo de cooperação
técnica constante com a Prefeitura Municipal;
- Banco do Nordeste
do Brasil (BNB): instituição financeira que financiou
os horticultores do Itararé (1995) para custeio e investimento.
A participação
de cada órgão/entidade está relacionada com a sua
natureza e finalidade, sendo que no caso da CHESF visa basicamente a
preservação das suas áreas e estruturas de transmissão
de energia.
A efetivação da participação de cada órgão/entidade
(atores) envolvidos no programa foi assegurada através de convênios,
contratos de comodato e termos de cooperação técnica.
Com o desenvolvimento do programa foram aprendidas algumas lições
no relacionamento entre os atores, como:
- São necessárias
tecnologias mais adaptadas e testadas localmente através de
unidades demonstrativas com maior acompanhamento e experimentação.
- A capacitação
acadêmica (oferta de cursos esporádicos) apresenta-se
com pouca expressividade de resultados, o recomendado seria uma capacitação
em processo contínuo.
5.
VANTAGENS E DESVANTAGENS ALCANÇADAS COM O PROGRAMA DE HORTAS
COMUNITÁ RIAS
5.1 Vantagens
- Contribui para
a melhoria da receita das famílias envolvidas e em alguns casos
se constitui na única fonte de renda para as famílias;
- Profissionalização
e agregação da família, principalmente evitando
a marginalização do menor;
- Ocupa áreas
desabitadas tidas como inaproveitáveis (terrenos baldios),
onde predominava o acúmulo de lixo e servia de refúgio
para marginais, fato que gerava insegurança para os moradores
das redondezas;
- Resgata a cultura
de grande número de famílias quanto ao desenvolvimento
de uma atividade agrícola, já que a maioria é
oriunda do meio rural;
- Reduz a importação
de produtos hortícolas de outros estados e municípios;
- Gera empregos
para inúmeras famílias envolvidas na cadeia produtiva,
desde os produtores até os vendedores finais dos produtos gerados;
- Proporciona
a organização das famílias em associações;
- Obedece condições
de higiene, oferecendo segurança alimentar aos consumidores,
com o uso de poços artesianos como fonte hídrica;
- Consumo de hortaliças
com maior qualidade biológica.
5.2
Desvantagens
- Dificuldades
encontradas no processo de transferência da responsabilidade
gerencial das hortas, do poder público para os horticultores,
em um processo de autogestão. Os horticultores tendem a querer
continuar dependendo da Prefeitura;
- Os problemas
aumentam durante o período de chuvas, já que não
se tem total controle sobre as variáveis, como: umidade do
solo (encharcamento), nutrição, incidência de
doenças, etc.
- Algumas famílias
não fazem investimentos próprios nem mesmo em adubação
orgânica dos canteiros
- Dificuldade
das famílias de se organizarem em uma associação
ou mesmo cooperativas de comercialização;
6.
PRINCIPAIS IMPACTOS DA IMPLEMENTAÇÃO DA POLÍTICA
DE HORTAS COMUNITÁRIAS
6.1 Impactos sociais
- Maior segurança,
proporcionada pela ocupação de terrenos baldios, acabando
com as áreas abandonadas, local de refúgio de marginais;
- Geração
de renda para 2.503 famílias compreendendo 9.760 pessoas;
- Geração
de empregos diretos e indiretos;
- Incremento da
participação da população da tomada de
decisões pela representatividade das associações
formadas;
- Redução
dos níveis de pobreza da população;
- Ocupação
de mão-de-obra envolvendo toda a família, evitando que
as crianças e adolescentes, em horário livre das aulas,
fiquem ociosos ou sujeitos s condições das ruas, direcionando-os
para atividades produtivas;
- Produção
de alguns alimentos para o consumo direto, ajudando na alimentação
das famílias e reduzindo os gastos com a compra dos mesmos;
- Contribui para
a melhoria das condições sociais, econômicas e
da qualidade de vida, como a incorporação de infra-estrutura
comunitária e serviços. Fatos diferenciais entre os
locais onde se encontram instaladas as hortas mais antigas e as que
estão em processo de instalação;
- Redução
de risco de vandalismo pela ocupação de terrenos baldios.
6.2
Impactos de gênero
- A efetiva participação
da mulher (51,06%), caracterizada como um agente que dispõe
de maior tempo para o desenvolvimento das práticas agrícolas
no lote familiar. Nestes casos o homem também participa, mas
quando não tem uma atividade fixa, está sempre à
procura de outros serviços, visando melhorar a renda familiar;
- Oferece à
mulher condições de trabalho próximo de casa,
podendo associar sua função na horta às suas
tarefas rotineiras que desempenha no lar;
- O desenvolvimento
dessas atividades pela mulher lhe proporciona uma maior importância
na relação familiar e consequentemente, no reconhecimento
social;
- Esta participação
atual da mulher poderá levar a uma efetiva importância
no âmbito da agricultura urbana, pois já se observa em
alguns casos uma maior independência da mulher, especialmente
quando esta é chefe de família. Esta independência
incrementada pela capacitação técnica recebida,
proporcionando condições para o acesso a maiores produtividades
e melhores formas de comercialização.
6.3
Impactos econômicos e financeiros
- Geração
de uma renda média de 1,84 salários mínimos (US$
143,47), por família. Em casos mais bem sucedidos, pode alcançar
até quatro salários mínimos;
- Contribui para
a erradicação das condições de pobreza
absoluta das famílias, através do desenvolvimento de
uma atividade produtiva, obtendo-se renda com a venda dos produtos
e reduzindo-se os gastos com a compra de alimentos;
- As culturas
mais exploradas apresentam maior procura e retorno financeiro mais
rápido (de 40 a 60 dias após o plantio) e se constituem,
se bem cuidadas, em explorações com baixas taxas de
risco;
- Aproveitamento
de áreas sem utilização com atividades produtivas,
constituindo-se em mais uma alternativa de produção.
- O investimento
inicial totalmente assumido pela Prefeitura Municipal, através
da utilização de recursos próprios ou de convênios,
de forma que a família recebe o lote com toda a infra-estrutura,
assim como os insumos necessários para a sua primeira exploração.
Isto se constitui numa agregação de bens pela família
que proporcionará uma receita que se tornará seu capital
de giro para futuras fases de exploração de seu lote;
- Nos casos em
que a exploração de hortas comunitárias for considerada
complementar às receita das famílias, a mesma, contribuindo
para uma diversificação de renda, pode atenuar choques
setoriais que resultem em demissões, pois as famílias
não ficarão totalmente desamparadas até conseguir
um novo emprego;
- A comercialização
dos produtos é feita de maneira informal, tanto a realizada
na própria horta, no ponto de venda, na banca do mercado ou
feira livre, ou aquela realizada de porta-em-porta, além disso
as famílias não fazem registros da produção
ou dos gastos realizados. Esta situação torna difícil
a apresentação de dados econômicos concretos da
exploração das hortas comunitárias, no entanto
seu efeitos econômicos são constatados através
das informações apresentadas acima. A SEMAB, atenta
a este problema, está direcionando cursos e treinamentos através
do SENAR e SEBRAE, visando o maior controle da produção.
6.4
Impactos técnicos
- As famílias
envolvidas na exploração das hortas são submetidas
a um programa de capacitação, de acordo com as técnicas
mais recomendadas para o nível de exploração
proposto. De acordo com o surgimento de novas variedades das culturas
exploradas, estas são disseminadas entre as famílias,
visando a sua exploração. Dessa forma, a exploração
de hortas comunitárias em Teresina, tem se constituído
numa fonte constante de aprimoramento técnico das famílias;
- Os técnicos
da Prefeitura Municipal (SEMAB) que orientam as famílias, estão
sempre motivados a buscar novas técnicas, pois têm onde
colocar em prática;
- As hortas comunitárias
se constituem também em fonte de adaptação de
tecnologias para os técnicos da Prefeitura Municipal, servindo
então às famílias;
- A localização
das hortas, inseridas no meio urbano, também contribuem para
a disseminação de técnicas, onde pessoas interessadas
têm acesso aos canteiros e às informações
de manejo dos mesmos, podendo colocar em prática em outros
locais (quintais, sítios, fazenda, ou mesmo prefeituras municipais);
- As famílias
ou integrantes destas, ao se transferirem para outros locais, levarão
consigo as técnicas aprendidas, que poderão ser colocadas
em prática em outras localidades;
- Enfim, muitas
cidades do interior do estado e de outros estados, já se interessaram
pelo modelo de hortas comunitárias desenvolvido em Teresina
e estão dispostos a explorá-las, segundo as técnicas
atualmente empregadas.
6.5
Impactos Ambientais
- Substituição
de terrenos baldios por áreas verdes e produtivas;
- Aproveitamento
de solos expostos e sujeitos a atuação de processos
erosivos;
- Aproveitamento
de dejetos orgânicos para a melhoria da fertilidade do solo
e aumento da produtividade e produção de alimentos;
- Melhoria da
paisagem do bairro, dando melhor aparência urbanística;
- Aproveitamento
de áreas e redução de depósitos de lixo
e proliferação de insetos e roedores.
6.6
Impactos institucionais e legais
- Maior presença
da Prefeitura Municipal junto aos moradores, permitindo um melhor
conhecimento das realidades locais e das necessidades das comunidades;
- Contribuição
para a organização da população em associações
comunitárias;
- Maior representatividade
da comunidade junto a instituições públicas e
particulares;
- Atuação
conjunta das famílias na compra de insumos (adubo orgânico,
por exemplo). As famílias se organizam para adquirir produtos
em maior quantidade e mais baratos. Ainda não há atuação
conjunta na comercialização dos produtos.
6.7
Impactos relacionados a custos e benefícios
- A agricultura
urbana, em especial a exploração da olericultura, se
constitui numa das formas mais intensas e intensivas de exploração
do solo. Basta ressaltar que a Prefeitura Municipal tem conseguido
proporcionar condições para que uma família consiga
uma renda de R$ 251,08 (US$143,47) numa rea de 400m2, com um investimento
inicial entre R$ 678,36 e R$ 760,00 (entre US$387,63 e US$434,28)
por lote. Este valor está muito abaixo do que se poderia conseguir
para criar um posto de trabalho em outro setor da economia, pois os
investimentos seriam muitas vezes maior, seja no comércio ou
na indústria.
- A cidade de
Teresina não dispõe de atividades concentradoras de
mão-de-obra, pois as atividades mais importantes (comércio
e serviços) não são tão expressivas e
a atividade industrial é pequena. Dessa forma, a ocupação
de mão-de-obra é um dos problemas mais sérios
enfrentados pela população teresinense. Aliada a estas
características, a população que mora na periferia
da cidade, em geral, não possui mão-de-obra qualificada.
A maioria das ocupações está na economia informal,
destacando as seguintes: ambulantes (camelôs), vigias, domésticas,
serventes de pedreiros, pedreiros, motoristas, agricultores, etc.
6.8
Impacto político
A política
de incremento das Hortas comunitárias sofreu algumas alterações
ao longo dos quatorze anos de sua existência. Estas modificações
se deram em decorrência de situações políticas
pelas quais o país, o estado e a prefeitura passaram, no entanto
têm prevalecido os objetivos básicos e têm sido incorporados
novos, não menos importantes.
Dos órgãos com os quais foram firmados os primeiros convênios,
alguns não mais existem e outros mudaram sua forma de atuação.
Apesar disso a PMT prosseguiu com recursos próprios ou através
de parcerias com novas instituições.
O Projeto Vila-Bairro atualmente em vigor foi possível devido
aos bons resultados sociais, econômicos e financeiros obtidos
nos anos anteriores. Dessa forma está se colocando em prática
uma política já comprovada, onde a experiência adquirida
e seus resultados são as garantias exigidas pelo órgão
financiador (BNDES).
7.
SUSTENTABILIDADE DAS HORTAS COMUNITÁRIAS
Desde o início
da implantação das hortas comunitárias, a intenção
sempre foi torná-las independentes, num período máximo
de seis meses. Para isso a Prefeitura Municipal implanta toda a infra-estrutura,
fornece insumos para a primeira exploração e desenvolve
as seguintes ações:
- Capacitação
técnica para que as famílias busquem os melhores resultados
e conseqüentemente consigam melhores receitas;
- Proporciona
inicialmente, condições para que as famílias
explorem um total de 12 espécies olerícolas e dá
suporte para que elas realizarem a seleção das espécies
mais adequadas para cada família;
- Incentiva a
formação de associações e proporciona
treinamento relativo à gestão associativa;
- Mantém
uma infra-estrutura de comercialização composta por
dezessete mercados públicos municipais e nove feiras livres
que servem de apoio às famílias, na comercialização
de seus produtos;
- Absorve permanente
dos custos com energia elétrica e manutenção
dos sistemas de bombeamento e hidráulico;
- A Prefeitura
Municipal mantém apoio permanente ao transporte de insumos
(esterco) de vários municípios circunvizinhos para o
uso nas hortas comunitárias;
- A Prefeitura
Municipal proporciona assistência técnica permanente
a todos os horticultores inseridos no Programa de Hortas Comunitárias.
Dessa forma, considerando as condições do município
de Teresina, é possível atingir a sustentabilidade;
no entanto para que isso seja mais rápido e eficaz, identificaram-se
as seguintes limitações:
- É grande
a diferença de rendimento das famílias nas hortas comunitárias,
tendo em vistas o tempo disponível de famílias que têm
como complemento de renda e famílias totalmente dedicadas às
hortas. Esse efeito também combinado são diferenças
de poder aquisitivo. Em alguns casos as famílias não
dispõem de tempo ou tem poucos integrantes em idade que possam
contribuir na atividade. Apesar disso, algumas famílias têm
capacidade de investimento, enquanto que outras precisam gastar toda
a receita obtida, ficando sem capital para reinvestimento no lote;
- Por seu aspecto
cultural, o trabalho associativo não obtém os resultados
esperados, pois, em geral falta confiança nos líderes
ou os interesses individuais são diferenciados. Isto tem dificultado
a comercialização, pois enquanto algumas famílias
obtêm êxito, outras encontram grande dificuldades para
vender seus produtos;
Portanto o Programa
de Hortas Comunitárias de Teresina, ainda não conseguiu
tornar as hortas totalmente autônomas, porque é muito forte
o aspecto cultural que cultiva o paternalismo do poder público;
o nível de escolaridade da maioria dos horticultores é
muito baixo, fato que reduz o potencial de exploração
de algumas famílias; e a capacidade de organização
dos horticultores é muito pequena, inviabilizando a manutenção
de uma entidade (cooperativa) que assuma as obrigações,
proporcione igualdade de condições na exploração
dos lotes e promova a comercialização da produção.
8.
LIÇÕES APRENDIDAS
- A maior lição
aprendida no trabalho de implantação e operacionalização
das hortas comunitárias, é a necessidade de um investimento
maior no trabalho social. Que haja, nos primeiros anos, um acompanhamento
social sistemático e intenso, junto às famílias,
no sentido de proporcioná-lhes a descoberta da importância
de uma consciência cooperativa e solidária no trabalho
comunitário. Visando, desta forma, uma maior produtividade,
uma forte consciência de independência das instituições
públicas e assim, conquistar seu estado de cidadania;
- A individualidade
na atividade produtiva não é aliada que traga benefícios
aos grupos formados por pequenos produtores;
- A manutenção
da tradição cultural da zona rural, levada à
zona urbana através da agricultura urbana, é um dos
fatores de valorização de pessoas de origem rural. No
entanto são necessários investimentos maciços
em orientação técnica e social, para obterem-se
bons resultados.
- Necessidade
de evolução e melhoria dos procedimentos atualmente
em uso, com a implantação de unidades demonstrativas,
e difusão de resultados onde será inserido o aspecto
experimental para o teste de adaptação de tecnologias;
- Com relação
à qualidade dos produtos, prevê-se a certificação
dos produtos das hortas comunitárias, conforme o fluxograma
da Figura 10, que culminará com campanhas de marketing na busca
do mercado local, ressaltando a distribuição de atividades
e a comercialização da produção em níveis
regulares a uma clientela mais constante, como redes de supermercado
e centrais de abastecimento. a qualidade, os aspectos higiênicos
e de baixo uso de defensivos adotados no processo de exploração
e incentivando a adoção de técnicas de agregação
de valor aos produtos como as ações ligadas a beneficiamento
e embalagem;
- Já se
encontra em formação um Fundo de Aval, através
do qual a Prefeitura Municipal realiza um depósito em uma instituição
financeira que servirá de garantia para os financiamentos solicitados
pelos horticultores, para o financiamento de custeio, visando facilitar
o acesso ao crédito.
Figura 10 —
Fluxograma proposto para o Programa de Certificação Sanitária
das hortaliças produzidas nas hortas comunitárias de Teresina
CADASTRO DE HORTICULTORES
SELE O DE HORTAS PALESTRA DE
SENSIBILIZA
CONTROLE DE
AGROT XICOS
SELE O DE HORTAS
LEVANTAMENTO DA
SITUA O SANIT RIA DOS
HORTICULTORES
VERMIFUGA O DOS
HORTICULTORES
MONITORAMENTO PARASITOL GICO DA
GUA E HORTALI AS
INSTALA O DE KIT S
SANIT RIOS
CONSTRU O DE SALAS DE LIMPEZA E
HIGIENIZA O DAS HORTALI AS
EMISS O DE CERTIFICADOS
CAMPANHA DE MARKETING
9. CAPACIDADE DE TRANSFERÊNCIA DA POLÍTICA
DE INCREMENTO DAS HORTAS COMUNITÁRIAS
O Programa de Hortas Comunitárias de Teresina vem sendo estudado
por inúmeras autoridades municipais e até mesmo por interessados
diretos (horticultores potenciais), com vistas à sua implantação
em outras cidades do estado do Piauí e de outros estados vizinhos.
A capacidade de transferência está condicionada existência
de algumas características como as que foram responsáveis
pelo sucesso das hortas comunitárias de Teresina, tanto no nível
dos condicionantes, como no dos objetivos a serem alcançados.
Como condicionantes básicas podem ser destacados:
- Existência
de uma população formada por famílias de baixa
renda e numerosas (as famílias das vilas e favelas são
constituidas em média por 3,9 pessoas), dispondo de mão-de-obra
para conduzir os lotes a serem cultivados;
- Existência
de áreas disponíveis no meio urbano, próximas
aos aglomerados de famílias caracterizadas acima. Em Teresina
, além das áreas situadas nas margens dos rios e terrenos
baldios isolados no interior dos conjuntos habitacionais (áreas
institucionais), o grande achado foi o aproveitamento das faixas de
servidão das linhas de distribuição de energia;
- Existência
de famílias oriundas do meio rural, que já trazem na
cultura a necessidade de continuar, mesmo na cidade, desenvolvendo
atividades ligadas ao setor agrícola;
- Existência
de entidades com objetivos semelhantes aos eleitos para o programa
proposto, com as quais se possam concretizar parcerias;
- Existência
de recursos técnicos e financeiros próprios ou financiados,
para a implantação do programa e a sua manutenção
até a sua total independência administrativa, técnica
e financeira;
- Existência
de condições climáticas adequadas para o cultivo
de culturas aceitas pelo mercado local ou de condições
técnicas e financeiras para superar as limitações
impostas pelo clima;
Como objetivos a
serem alcançados, a agricultura urbana concentra um grande número
de razões para a sua implementação. Em Teresina
os principais objetivos foram ou continuam sendo:
- Proporcionar
a ocupação e a qualificação de crianças
em situação de risco, desenvolvendo uma atividade produtiva,
de forma complementar ao período em que a mesma freqüenta
a escola;
- Proporcionar
a produção agrícola de produtos com grande participação
no processo de importação. No caso de Teresina, a maioria
dos produtos hortícolas são trazidos de outras regiões;
- Proporcionar
às famílias de baixa renda o acesso a alimentos saudáveis,
no momento em que parte dos produtos do cultivo são consumidos
pela própria família do horticultor;
- Proporcionar
a geração de empregos e renda para as famílias.
Estas condições e objetivos são comuns na maioria
dos países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Portanto
o Programa de Hortas Comunitárias, poderá ser adaptado
às peculiaridades de cada cidade ou região e atingir
o sucesso alcançado na cidade de Teresina.
10.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- SEMPLAN. Teresina:
aspectos e características — perfil 1993. Teresina. Secretaria
Municipal de Planejamento e Coordenação Geral. 1993.
- SEMAB. Relatório
anual de atividades — 1995. Teresina. Secretaria Municipal de
Agricultura e Abastecimento. 1995.
- SEMAB. Relatório
anual de atividades — 1998. Teresina. Secretaria Municipal de
Agricultura e Abastecimento. 1998.
- SEMPLAN. Teresina
em dados (versão preliminar) . Teresina. Secretaria Municipal
de Planejamento e Coordenação Geral. 1999.
- IBGE. Contagem
da população — 1996. Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística. Rio de Janeiro, 1997.
- SEPLAN. Piauí
: um estado diferente. Teresina: Secretaria de Planejamento do Estado
do Piauí, 1997. p. 102.
PREFEITURA
MUNICIPAL DE TERESINA
SECRETARIA MUNICIPAL DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO
DEPARTAMENTO DE PRODUÇÃO
ANEXO V - REGIMENTO INTERNO DAS HORTAS COMUNITÁRIAS
INGRESSO Á HORTA
Artigo 1: O interessado deverá inscrever-se na Secretaria Municipal
de Agricultura e Abastecimento, nas Associações de Moradores
do Bairro ou outro local determinado pela SEMAB, e deverá preencher
preferencialmente os seguintes pré-requisitos:
- Morar no bairro
ou em bairro próximo da horta;
- Não possuir
emprego fixo (titular ou cônjuge);
- Apresentar maior
número de filhos menores de idade;
- Ser viúva
(não pensionista) com filhos menores de idade;
- Apresentar idade
maior que outros inscritos, sem ter aposentadoria ou pensão
- Não participar
de Projetos Comunitários ligados ao setor de produção
de hortaliças desenvolvidas por outras entidades;
- Não possuir
terrenos na zona rural ou urbana que possam ser aproveitados para
o cultivo de hortaliças.
Artigo 2: A seleção
será feita pela Prefeitura, sob a coordenação do
Departamento de Produção.
OBRIGAÇÕES DO HORTICULTOR
Artigo 3: O cultivo do lote deverá ser feito obedecendo-se aos
seguintes aspectos:
- O lote deverá
ser ocupado em toda sua extensão apenas com o plantio de hortaliças
ou outros cultivos recomendadas pela PREFEITURA, em função
da especificidade de cada horta.
- É proibido
levar animais domésticos para a horta;
- Não é
permitido atear fogo dentro dos limites do lote;
- Nas hortas onde
são utilizadas áreas sob rede de alta tensão
da CHESF, o uso de mangueiras dever ser feito com o máximo
cuidado para evitar indução elétrica com os fios
de alta tensão;
- Não é
permitido usar manilhas para outros fins que não o de reservatório
de gua, sendo portanto proibido tomar banho, lavar roupa, etc.;
- A área
de limite entre os lotes deverá ser mantida sempre limpa, sendo
proibido jogar lixo na mesma e a limpeza será de responsabilidade
dos horticultores dos lotes circunvizinhos;
- O uso de agrotóxicos
deverá ter a orientação e acompanhamento do Agrônomo
e/ou Técnico Agrícola da Prefeitura;
- Não é
permitida a construção de casas ou galpões dentro
da horta, nem manter depósito de materiais inflamáveis.
No caso de abrigos individuais, os mesmos serão padronizados
pela Prefeitura;
- Serão
estabelecidos horários para irrigação, de acordo
com a capacidade de fornecimento de água pelo sistema de bombeamento,
os quais deverão ser cumpridos pelos horticultores.
- É proibido
o tráfego de qualquer veículo (carro, bicicleta, carroça,
motos, etc.), exceto caminhões para a descarga de insumos.
RELAÇÃO
AO TRABALHO GRUPAL
Artigo 4: O horticultor
dever respeitar os seguintes aspectos:
- Participação
nas reuniões dos módulos e assembléias gerais
da Associação ou Cooperativa de horticultores à
qual esteja ligado;
- A decisões
que forem tomadas pelo grupo deverão ser respeitadas por todos
os horticultores individualmente;
- Todas as questões
ligadas à horta deverão ser discutidas em reuniões
e o grupo tem autonomia e poder de decisão para todas as questões
que lhes digam respeito, juntamente com o técnico da Prefeitura;
- A manutenção
dos serviços da horta (limpeza, vigilância, cerca, bomba,
portões, etc.), de inteira responsabilidade do grupo e todos
os horticultores devem contribuir com estes serviços;
- Em cada horta
e/ou módulo haverá um coordenador eleito pelos horticultores,
o qual coordenará as ações administrativas e
manterá contatos constantes com a equipe técnica da
SEMAB, para tratar de assuntos inerentes ao desenvolvimento das atividades.
- Os coordenadores
dos módulos deverão ser escolhidos pelos horticultores
daquele módulo, através de eleição direta
com data previamente definida, com período de um ano podendo
ser reeleito. Durante a vigência do mandato poderá haver,
eleições para atender as necessidades da Horta e dos
Horticultores.
- Quando mais do
que 30% dos horticultores cadastrados assim desejarem, será
marcada nova eleição. E a eleição ocorrerá
quando estiverem presentes no mínimo 30% dos horticultores
cadastrados e será eleito o coordenador que obtiver maioria
simples dos votos presentes.
AFASTAMENTO DO HORTICULTOR
Artigo 5. O afastamento
do horticultor dar-se-á mediante o descumprimento das seguintes
determinações:
- O não
cumprimento de qualquer um dos itens do artigo 3. O grupo deverá
convocar uma reunião e após discussão decidir
pelo afastamento do horticultor;
- O abandono por
trinta dias contínuos e/ou descaso pelas atividades, sem justificativa;
- A prática
de atos que possam prejudicar a segurança dos lotes vizinhos;
- Por motivo de
FURTO, tendo testemunhas e registro no órgão policial
competente;
- O horticultor
que livre e espontaneamente decidir se afastar do lote deverá
comunicar ao coordenador do módulo para que seja assinado o
termo de desistência junto à SEMAB;
- O horticultor,
ao desistir da horta, não poderá ceder ou comercializar
o lote para terceiros. Constatado tal fato, os envolvidos serão
sumariamente afastados da horta;
- Não contribuição
das taxas de manutenção necessárias para a continuidade
dos trabalhos;
- Favorecimento
perda e/ou danificação e destruição de
equipamentos destinados às atividades da horta;
ADVERTÊNCIA
E EXCLUSÃO
Artigo 6: O não
cumprimento do artigo 5 implicará nas seguintes penalidades aos
horticultores:
- No caso de abandono
por trinta dias consecutivos e/ou descaso pela atividades sem justificativa,
o plantio será suspenso imediatamente e por escrito será
dado um prazo de trinta dias pela SEMAB para que o mesmo proceda à
colheita do lote.
- Fica o horticultor
desistente obrigado a devolver todo o material permanente (carro-de-mão,
enxada, pá, colher de transplantio, etc.) que recebeu da PMT
para que este seja repassado para o novo horticultor que ocupar o
lote.
- A não
participação em três reuniões consecutivas
dos horticultores, sem justificativa, implicará na mesma sanção
descrita acima.
ANEXO
VI - ETAPAS DE FORMAÇÃO DA HORTA COMUNITÁRIA E
DE CAPACITAÇÃO DOS HORTICULTORES.
Procedimentos Iniciais
- Solicitação
formal para implantação da horta com a relação
das pessoas interessadas;
- Cadastramento
dos interessados, com escolha e preenchimento de formulários
padrão;
- Escolha da área
e identificação de seus limites;
- Levantamento
planialtimétrico;
- Definição
da área.
Preparo do Terreno
• Limpeza
da área (desmatamento, enleiramento, destocamento, catação
de tocos e raízes, retirada de lixo e entulhos);
• Levantamento das curvas de nível;
• Preparo da rea (escarificação, aração,
gradagem, calagem e terraceamento);
• Marcação dos lotes;
• Entrega dos lotes;
• Marcação e construção de canteiros
e covas;
• Distribuição de ancinhos e enxadas;
• Distribuição de pás e carros-de-mão.
Construção
da Cerca e Identificação da Horta
- Implantação/recuperação
de cerca;
- Colocação
de portões para pedestres;
- Colocação
de portões para veículos;
- Aterramento
da cerca;
- Colocação
das placas de identificação.
Implanta o do Sistema
de Irriga o
- Perfura o/recupera
o de po o tubular;
- Implanta o de
rede el trica/ramal prim rio (13,8 KV);
- Implanta o de
rede el trica/ramal secund rio ( 220/380 V);
- Constru o da
casa de bomba/quadro de comando;
- Rebaixamento
da rede el trica/coloca o de transformador (15 KVA);
- Liga o da rede
el trica;
- Montagem do
sistema de bombeamento;
- Abertura de
valas para o sistema hidr ulico;
- Montagem do
sistema hidr ulico;
- Distribui o
de manilhas;
- Estabelecimento
do turno de irriga o.
Seleção,
Capacitação, Acompanhamento e Treinamento de Horticultores
- Capacitação
teórica;
- Treinamento
na adubação orgânica e química;
- Treinamento
no plantio de sementeiras;
- Treinamento
no plantio direto e transplantio;
- Treinamento
no desbaste;
- Treinamento
na aplicação de defensivos;
- Treinamento
para a irrigação;
- Substituição
de horticultores;
- Elei o de coordenadores
de módulos;
- Treinamento
para o manejo dos canteiros;
- Treinamento
para o controle de doenças e pragas;
- Treinamento
para a colheita;
- Treinamento
para a comercialização;
- Informação
de preço dos produtos.
Plantio, Produção
e Colheita
- Distribuição
de colheres de transplantio e regadores;
- Distribuição
de pulverizadores;
- Distribuição
de esterco/adubo orgânico/terra vegetal;
- Distribuição
de calcário;
- Distribuição
de adubos químicos;
- Distribuição
de palhas de babaçu;
- Distribuição
de sementes;
- Distribuição
de mudas;
- Produção
de mudas;
- Plantio de canteiros
e covas;
- Tratos culturais;
- Colheita;
- Comercialização.
INSUMOS, FERRAMENTAS
E UTENSÍLIOS QUE SÃO FORNECIDOS PELA PREFEITURA DE TERESINA:
- Uso Individual
— Ancinhos, enxadas, esterco/adubo orgânico/terra vegetal,
adubos químicos, mudas olerícolas, colheres de transplantio,
regadores, palhas, calcário e sementes;
- Uso Comunitário
— Pás, carrinhos-de-mão, pulverizadores costais.
INFRA-ESTRUTURA
FÍSICA QUE A PREFEITURA DE TERESINA IMPLANTA:
- Cerca de proteção
com portões para pedestres e veículos;
- Sistema de Irrigação
- Poço tubular;
- Casa de bomba/quadro
de comando;
- Rede elétrica;
- Sistema de bombeamento;
- Sistema Hidráulico.
ESTE
TRABALHO FOI ELABORADO ATRAVÉS DO CONVÊNIO:
PREFEITURA MUNICIPAL DE TERESINA - Secretaria Municipal de Agricultura
e Abastecimento - Departamento de Produção
- PREFEITO MUNICIPAL
DE TERESINA
Economista FIRMINO DA SILVEIRA SOARES FILHO
- SECRETÁRIO
MUNICIPAL DE AGRICULTURA E ABASTECIMENTO
Eng.Agr. PAULO FERNANDES FORTES FILHO
- SECRETÁRIO
ADJUNTO
Eng.Agr. PAULO MURILO SOARES MOREIRA LIMA
- DIRETOR DO DEPARTAMENTO
DE PRODU O
Eng.Agr. JUDIVAN OLIVEIRA PAZ
- CHEFE DA DIVISÃO
DE PRODUÇÃO VEGETAL
Eng.Agr. HORÁCIO COGO J NIOR
- Business Without
Frontiers / Negócios Sem Fronteiras
- OFERTA —
Assessoria e Consultoria Ltda.
EQUIPE TÉCNICA:
Eng.Agr. PETRONE BANDEIRA DOS SANTOS
Eng.Agr. FRANCISCO DAS CHAGAS OLIVEIRA
Diretora Executiva TERESA HILDA BEZERRA DE SOUSA COSTA
Eng.Agr. JOSÉ AGUIAR BELTR O J NIOR
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